terça-feira, agosto 30, 2005

 

Inocêncio no País das Maravilhas

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I

Música de coro masculino no fundo, a mesma música que nos filmes se coloca quando se quer construir suspense para cena de terror.
Após meses de espera, havia sido contactado pela irmandade do Tomilho. Inocêncio suava em bica e consultava uma última vez as suas notas e o guia de ruas de Vladivostok.
“Aproxima-te e escorre”, bradou-lhe uma voz.
E Inocêncio escorreu viscosamente sobre o chão de mármore, ficando prostrado na pedra fria, sob a forma de uma espécie de cerelac animal, à espera da ordem para voltar ao seu estado normal.
Inocêncio havia dominado, ao cabo de meses de treino, a arte da despersonificação científica. Até há poucos anos, apenas alguns utópicos tentaram tímidas aproximações à despersonificação, sobretudo por meio do recurso a fármacos e mezinhas de origem vegetal, chamados despersonificantes, mas os resultados eram meramente psicológicos. Foi só após as fotos surpreendentes tiradas com uma lomo por um investigador algures no meio da Charneca da Caparica a seres humanos sujeitos ao grau certo de pressão óssea (que mais tarde a humanidade aprendeu a induzir por via da respiração & contracções musculares) que ficou provada a possibilidade da despersonificação física.
Até ali, poder-se-ia ordenar qualquer coisa a um ser humano, mas nada de tão fisicamente incongruente como “Escorre!”
Enquanto escorria sobre o chão e sobre o tecto e sobre as paredes e sobre toda a sala Inocêncio viu raparigas em fatos de surf que se desapertavam pelos longos fechos éclairs nas costas e caíam como folhas de bananas descascadas sobre as ancas e coxas. As bananas reviraram-se numa espiral de luz até explodir numa infinidade de espirais negras sobre um fundo rosa choque. Navegava agora na quinta dimensão e viu que não navegava ao acaso. Viu-se no interior das entranhas de um bicho semelhante a um dragão, que se contorcia no espaço sideral e viu todos os seus amigos e conhecidos e muitos mais humanos que não conhecia, pairando pelo espaço negro da barriga do animal, enquanto entoavam “Funafunanga! Funafunanga!”.
E então Inocêncio, por breves instantes, sabia de onde vinha, sabia para onde ia, e porque ia. Só não sabia era de onde vinha aquele estranho odor a algodão doce e farturas.

II

Questões como o Qual o sentido da existência? Qual a origem do universo? Será que estou a pagar demasiado pelo meu seguro automóvel?, afiguraram-se-lhe como absolutamente claras por uns fragmentos de segundo, desvanecendo-se logo a seguir como areia escorrendo por entre os dedos. No caminho para casa tropeçou numa pedra trazida como souvenir da Grécia por uma criança e deitada fora pela sua mãe (e a criança havia encontrado a pedra porque havia sido pontapeada para fora do local onde repousava centenas de anos antes por Alexandre o Grande ao afastar-se do seu batalhão para urinar atrás de uns arbustos) e assim evitou ser atropelado por um automobilista embriagado que circulava a 140 no meio da cidade e assim pôde anos mais tarde procriar e o seu rebento descubriria a cura para a estupidez, revolucionando o mundo como o conhecemos—mas isso já seria uma outra história.

III

Inocêncio caminhava pela rua e encontrou então, sentado numa tasca a beber imperiais, uma pessoa que já procurava há alguns dias.
“Então puto, tá-se bem?”
“Iá meu, e contigo?”
“Tá-se! Tens alguma coisa para mim?”
“Tenho aqui uma cena muita bacana que acabou agorinha mesmo de chegar.”, respondeu, enquanto remexia no interior da mochila à procura de algo.
“Orienta-me então um conto.”
“Ok. Aqui vai… Era uma vez uma menina chamada Capuchinho Vermelho, cuja avó vivia na floresta…”

Se gostaram e querem mais, não percam em breve o próximo blogue & art project que contará com a participação do Pombo e outros amigos tão ou mais loucos que ele.

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domingo, agosto 28, 2005

 

Booyakasha!

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"Yo motherfuckaz, check dis out! it is i, your geeza Ali G.! just dropped by to tell yous my main man pombo incontinente for real kicks motherfuckin batty. now yous too can natta ad write and act dig ali g. imself! Booyakasha! Peace! "

Se não perceberam patavina da tirada acima transcrita, talvez seja hora de visitarem o Tradutor Ali G.ês - Inglês.



Sim, agora também vocês podem surpreender os vossos amigos com as melhores tiradas à maneira do branco-suburbano-que-tem-a-mania-que-é-gangsta-rapper mais famoso e hilariante do momento.

Fiquem bem, sócios. Peace!

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sexta-feira, agosto 26, 2005

 

Ai seu malcriadão!

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Ontem disse-vos que nada batia o nome "Ignace Broche". Bom, menti. Existe um sério concorrente (mais uma fotografia parisiense):



Segundo as lendas, este senhor tinha todo o seu dinheiro depositado em Amesterdão, neste banco:


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quinta-feira, agosto 25, 2005

 

Say my name, bitch!

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Todos sabemos que a indústria porno se encontra numa encruzilhada artística, agrilhoada à coreografia sobejamente gasta do OFTBF (Oral/frente/trás/Oral/facial). Esta fórmula assim decomposta mais parece o regulamento de Avaliação da Faculdade de Direito de Lisboa !! (eu posso dizer estas bujardas porque já lá não estou - queridos ex-colegas, evitem citar-me pelos corredores)!

O que será feito do encanto brechtiano de "Liz, A Camionista Ninfomaníaca"? Dos enredos mirabolantes, feito de pequenos clímaxes e anticlímaxes de clássicos como "Orgia na secção de física quântica do MIT", com interessantes teorizações acerca da dinâmica molecular inerente à explosão de supernovas entre duas palmadas na nádega?

E porque é que todos os nomes artísticos no cinema porno contêm sempre um primeiro nome tipicamente americano e um apelido com um ar latino, tipo Brad Constanza, Ralph Garcia, Tom Savage ou outro do género?

De todos os nomes encontrados mediante pesquisa exaustiva, nenhum chega porém aos calcanhares deste:



(Acreditem ou não, esta foto de pormenor foi tirada no Louvre)

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terça-feira, agosto 23, 2005

 

Portugal está um stress

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Há uns anos ouvi um black da Costa, que já devia ter muito haxixe naquele cérebro, dizer "Voltei agora da Europa. A Europa 'tá um stress!", com ar esgazeado. Eu e quem estava comigo olhámos à espera que desenvolvesse o seu raciocínio, mas ele continuava a repetir a frase, como um disco riscado.

Mas não é a Europa que está um stress. A Europa nem está cá, está de férias no Brasil e no Algarve e no Sul de Espanha (sendo que isso já não é bem Europa). A Europa está igualzinha a si mesma, digna, civilizada, soberba e sem um tostão furado, sem uma ideia nova, olhando com o desdém de aristocratas falidos para os novos-ricos americanos, chamando-lhes cowboys enquanto invejam os 50 cêntimos com que pagam o litro de gasolina para o seu buick.

Só existem dois locais na Europa que facilmente se localizam à distância através do olfacto: Amesterdão e Portugal. "Heading to Amsterdam? Just follow the weed smoke, man. You just can't go wrong". And I didn't. O mesmo quanto a Portugal, só que o fumo não é (só) das ervinhas daninhas dos holandeses, mas de floresta a arder.

Sempre me fez confusão porque é que em Portugal se vêem os incêndios de Verão como uma inevitabilidade trágica da saison, tal como as transmissões sonâmbulas do Natal dos Hospitais ou as campanhas de regresso à escola com hipermercados a cheirar a lápis de côr novos. Não é como se vivêssemos numa ilha das Caraíbas e dissessemos: "Bom, aí vem o furacão Sarah. Este ano veio atrasado. Vamos enfiar-nos em casa à espera que passe". Este é um mal dos portugueses que os portugueses poderiam de facto evitar. Tendo em conta que estamos numa época de quase-recessão, ou recessão técnica ou que estamos contabilisticamente na merda (which ever comes first), e sabendo que a receita de Keynes para estimular a economia é empregar as pessoas, pagar-lhes para fazer qualquer coisa nem que seja abrir buracos e depois tapá-los para que comecem a consumir, porque não colocar os desempregados das fábricas de têxteis que semanalmente fecham as portas a limpar as florestas? Sempre seria melhor do que abrir buracos, coisa que o país já tem que sobra, quer nas estradas, quer nas previsões orçamentais.

Comentários e fotos do Pombo Incontinente Euro Tour '05 seguem dentro de momentos. Por agora, apenas este comentário amargurado.

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sábado, agosto 06, 2005

 

Algumas coisitas para vos deixar entretidos

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O Pombo Incontinente vai realizar uma tournée, como Pombo "on the road" que é, durante o qual este blogue andará relativamente parado (a não ser que um hacker nos penetre no sistema e comece a postar pornografia, o que seria a nossa grande hipótese de termos mais do que os três leitores habituais, eu próprio incluído - por vezes...) até dia 21 de Agosto.

Seja como for, convido-vos a descobrir os linques que temos do lado esquerdo da página, sobretudo a recentemente inaugurada secção "Da Associação de Amigos do Pombo", gente impecável e cheia de ideias originais e que têm a particularidade de aturar o Pombo em carne e osso.

Se isso não for suficiente para vos entreter durante a longa e solitária noite da minha ausência (pausa pensativa para digerir a metáfora), deixo-vos um Pombo Quiz, extremamente egocêntrico, que envolve pesquisa de posts antigos, para resolverem.

1. Segundo o Pombo, o que se deve responder quando se recebe uma sms pirosa dizendo "Se por cada dia que eu pensasse em ti uma estrela se apagasse, talvez neste mundo nem uma estrela brilhasse."?
a) Vai dormir que o teu mal é sono
b) Se cada corno andasse com uma luzinha na cabeça, Lisboa vista do espaço pareceria Las Vegas. Apaga a luz, quero dormir!
c) O que até não seria mau de todo, porque não conseguiria ver tão bem a tua cara à noite.

2. Segundo o Pombo, qual a organização mais arrepiante da Igreja Católica?
a) A Opus Dei
b) As Brigadas de Nossa Senhora
c) A Associação de Amigos do Padre Frederico

3. Quantos posts gozando com Santana Lopes existem ao longo do blogue?
a) Nenhum
b) Sei lá! Achas que me vou dar ao trabalho de contar? O próprio Pombo também não deve saber!
c) O próprio Pombo Incontinente é uma sátira jocosa a Pedro Santana Lopes, sendo a ligação de uma coisa à outra inacessível às nossas mentes simplórias, apenas devemos acreditar que ela existe.

4. Que tipo de pesadelo faria o Pombo Incontinente acordar espavorido?
a) Ser apanhado no meio dum arrastão
b) Sonhar que se era amarrado no interior de um bar de karaoke frequentado por empregadas da Berska e gente que diz "vou fazer uma praínha", e obrigarem-me a ouvir um álbum da Maria João e Mário Laginha, terminando com uma sessão de sexo selvagem com a Diana Andringa enquanto ela toca ferrinhos
c) Sonhar que estava vestido de mulher e era confundido com uma pelo implacável Travassos

5. Por fim, quem é o maior, quem é (who's your daddy??)?
a) Esta não. Escolhe a b)
b) O Pombo Incontinente
c) Esta também não. Vai para b)

Se a maioria das tuas respostas foram a):

Tu não deves ser um "local"! Ou então não estudaste convenientemente a mensagem pombista! Aposto que trabalhas em telemarketing e tens um cd da Maria João & Mário Laginha para impressionar os amigos e que não perdes a oportunidade de cantar o "Jardins Proibidos" todas as sextas-feiras à noite no karaoke do teu bairro. "I pitty the fool!"

Se a maioria das tuas respostas foram b):

Se todas as tuas respostas foram b), só há uma hipótese: tu és o Pombo Incontinente e estou para aqui a falar sozinho. Se a maioria das respostas foram b), parabéns! És um verdadeiro conhecedor da doutrina pombista, merecedor de todas as honras e benesses e de assento no inner circle dos apóstolos do Pombo. Só podes ser um gajo com estilo e com eles no sítio/ uma mulher inteligente, linda e fantástica. Se for este segundo caso, casa comigo! Se fores um gajo, terei mesmo que te matar para assegurar a minha posição de macho dominante.

Se a maioria das tuas respostas foram c):

As respostas c) estão erradas e certas ao mesmo tempo. Estão erradas porque não correspondem ao pensamento pombista em toda a sua pureza, tal como se encontra revelado neste blogue. Mas estão certas na medida em que, se o Pombo jamais disse essas frases, poderia muito bem tê-las dito. És um visionário, portanto. Entendes bem o espírito do Pombo Incontinente, estás mesmo quase lá. Continua a visitar-nos que estás no bom caminho.

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quarta-feira, agosto 03, 2005

 

Carta Aberta a Clara Ferreira Alves Remix & Livros Recomendados

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Clara, Claríssima Clara Ferreira Alves,

Já lá vão uns tempos desde a minha última carta aberta a ti dirigida (post de 6 de Setembro de 2004), contudo, como Agosto é uma época de reposições, não pude deixar de te guardar umas linhas, nem que seja a desejar uma boa temporada no Algarve lendo a Caras para, assim que alguém se aproxima da toalha, esconderes a revista e sacares o pesaroso Proust.

O teu último artigo na revista do Expresso deixou-me preocupado e curioso em saber em que madrassa paquistanesa estudaste, pois, amiga Clara, parece-me que estás a tornar-te, de intelectualzinha petulante de cabelo loiro oxigenado, numa verdadeira taliban da intelectualidade (deve haver qualquer coisa no corte de cabelo à garçon nas mulheres, uma mutação genética ainda insipientemente estudada pela ciência, que, concomitantemente à perda de cabelo, as torna em moralistas acólitas da cultura, olhando com ares ora de górgona ultrajada, ora de polícia sinaleiro aqueles que se desviam do seu padrão comportamente, vide também Diana Andringa para uma arrepiante reality check).

Do teu último texto avultava não só a queixa recorrente de que os portugueses não lêem, como completas a frase com uma acusação ainda mais refinada "...e aqueles que dizem que lêem, mentem, mentem com quantos dentes têm!". Malandros, safados, pulhas, trastes! Que os portugueses (na terceira pessoa do plural, sim, os portugueses, esse estranho e exótico e remoto povinho) não lêem, já se sabe e não há volta a dar-lhe, pelo menos a curto prazo, a não ser imigrar para a Suécia (på svenska dans le texte). Mas que ainda para mais mentem, que dizem que nas férias vão ler, mas não lêem - Clara, essa é uma acusação muito feia!

Qual é ao certo o objectivo das tuas palavras, que móbil move a proselítica Pluma Caprichosa? Se desejas exortar os portugueses que não lêem a ler, e suscitar nas Cátias Vanessas da Buraca uma súbita iluminação intelectual que as levará a correr à livraria mais próxima para comprar o "Ulysses" de James Joyce e discuti-lo apaixonadamente em animadas tertúlias no snack-bar O Primor da Charneca da Caparica, creio que os teus esforços estão condenados ao fracasso. As pessoas que não lêem, por regra não lêem o Expresso, e mesmo as pessoas que não lêem mas que lêem o tal jornal, dificilmente não saltarão a tua página.

Como moça inteligente que és, imagino que já deves ter pressentido que o teu artigo é, na verdade, dirigido àqueles que lêem efectivamente, e o seu objectivo é "fazer queixinhas" amargamente da populaça, do magote, do povão. Andas a falar sozinha novamente.

Perdoa-me, Clara Ferreira Alves, por não ir ler a nova tradução em verso da Ilíada. Li o original aos 5 anos e a meu ver não faz justiça à tradução do magistral e entre nós tão celebrado Professor Lourenço, e já deixei Homero há uns tempos, andando em tratamento de substituição à base de outros épicos como o folheto com a posologia do guronsam.

Contudo, como sinal de boa fé, e para veres que estamos do mesmo lado da barricada, deixarei aos meus leitores, antes de ir de férias, uma lista de recomendações bibliográficas, à laia de receita médica para a nossa (nossa, de todos nós, e não "dos portugueses", quem quer que esses sejam afinal) incultura estival. Vamos então aos livros, como diria o nosso bom Mestre Marcelo Rebelo de Sousa:

1. "Budapeste", do Chico Buarque - um dos melhores livros que já li do escritor e famoso compositor que, a meu ver, neste momento é quem melhor trata a lingua portuguesa. A história é sobre um escritor brasileiro que escreve obras para escritores com falta de inspiração, ficando eles com a fama e o proveito, e da sua aprendizagem da língua húngara. Tem o selo de qualidade Pombo Incontinente (R).
2. "On the Road" de Jack Kerouac (trad. port. "Pela Estrada Fora", mas é daqueles que vale mesmo a pena ler no original) - magnífica novela para o Verão. Parece leve e solar, mas tem imenso conteúdo. Se o formos a dissecar, é quase psicanalítico, ou não fosse esta THE Great American Novel. Fala de um grupo de beatnicks que, nos anos 50,vagueiam pela América, com muitas festas estranhas, drogas e peripécias à mistura, num estilo de narrativa alucinante.
3. "Cartas de Inglaterra/Crónicas de Londres" e ainda "Cartas de Paris" de Eça de Queirós - duas compilações de crónicas escritas para um jornal pelo maior prosador português e pelo maior cronista de costumes (não arrisco? arrisco!) do mundo. Todas elas são hilariantes - certamente mais do que as da Clara Ferreira Alves - e vêem-se bem os vícios do Portugal de antigamente que são também os de hoje.
4. "A Cidade e as Serras" de Eça de Queirós - não resisti em adicionar mais este à minha lista. Na minha opinião, o melhor romance queirosiano, conta a história de Jacinto, fidalgo português residindo em Paris, que deixa todo o conforto e as luzes da civilização para ir viver para uma quinta familiar no Douro, numa região atrasada de um país atrasado. A "adaptação" é de chorar a rir!
5. "Daqui ninguém sai vivo", de Jerry Hopkins e Daniel Sugerman - uma biografia de Jim Morrison (grande vénia), extremamente arrebatadora, não só pela personagem mítica cuja vida segue de perto, como pela excelente narrativa da mesma.
6. "Na penúria em Paris e em Londres" - o jovem Orwell (antes de ter escrito o célebre "1984") narra as privações e peripécias rocambolescas a que se viu submetido durante a sua estadia em Paris e em Londres, lutando para sobreviver graças a pequenos biscates. Se gostam de histórias sobre vagabundos e sobre "o outro lado da vida", vão adorar esta.
7. "Complete Prose" de Woody Allen - Todos os contos e crónicas de Allen num só livro. Atenção que este livro envolve exercício intensivo dos maxilares e músculos das bochechas, porque é impossível parar de rir!
8. "Lisboa - o que o turista deve ver/ what the tourist should see", de Fernando Pessoa - é verdade, o nosso Pessoa fazia muitas coisas para ganhar a vida, entre as quais escrever um guia turístico. Redescubram a minha (vossa, de alguns) cidade pelos olhos do nosso maior poeta (uma edição livros Horizonte, de 1997 - comprei há uns anos e não tenho visto por aí, mas quem sabe, pode ser que tenham sorte e lancem a mão a um exemplar).
9. "O Castelo" de Franz Kafka - para aqueles que estejam virados para algo mais soturno, Kafka conta a história de um funcionário contratado para trabalhar num castelo localizado numa região remota e se vê enredado numa teia de atrasos burocráticos e nos destinos de estranhas personagens aparentemente sem alma.
10. "Uderzo visto pelos seus amigos" (vários autores) - Gostam de banda desenhada? Eu gosto. Este é um excelente livro, inserido na colecção do Astérix, e trata-se de um tributo de vários desenhadores a Uderzo, criador (juntamente com Goscinny) das histórias do famoso gaulês. Cada um deles fez um "sketch" em banda desenhada com as personagens de Astérix à sua maneira, pelo que há pequenas histórias em que Astérix surge desenhado como se fosse um índio de western, noutras surge como personagem underground e hiper-urbana, etc. É herético, mas vale a pena.

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terça-feira, agosto 02, 2005

 

Ice, ice baby...

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Uma pessoa sabe que este país sofre de loucura colectiva em estado terminal quando Zezé Camarinha é contratado como rosto da campanha deste Verão dos gelados Olá, e diz ainda "Quem me contratou analisou bem a dimensão que tenho junto das mulheres e da juventude (...) Tenho uma imagem muito positiva. Transmito à juventude valores".

O Pombo já teve os seus atritos com esta personagem (post de 25 de Março de 2005), quando ele ousou insultar o nosso guia espiritual Nuno Markl, sendo as manhãs da antena 3 a única razão que nos faz levantar da cama às 8 e meia. A grande guerra de civilizações entre Lisboa e Algarve foi decidida por uma espécie de Tratado de Tordesilhas, em que a Zezé foi permitido ficar com as inglesas e escandinavas, enquanto o Pombo Incontinente ficou com o exclusivo das italianas (acreditem que não foi mau negócio para nós).

Analisando a tendência de mercado para o uso das nossas celebridades caseiras para a publicidade de gelados, adivinham-se já os próximos passos da indústria.

José Castello Branco será o rosto do lançamento de um novo gelado, de administração por via alternativa, o Calippo Supositório (também conhecido como Callipo' lo cuacima):



Marisa Cruz fará publicidade ao novo Magnum White, também administrado por via alternativa...


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