domingo, julho 31, 2005

 

O Instituto de Socorros a Náufragos Linguísticos adverte:

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Este Verão, surpreeenda os seus amigos e marque a diferença, e jamais use a expressão "fazer praia".

Mas que raio vem a ser fazer praia? É daquelas expressões que, ouvidas da boca de uma Miss Permanente de Cabeleireiro da Brandoa 85, no autocarro, me tira do sério. Mas o pior ´é que ela se espalha às gerações mais novas!

A não ser que tenham ao vosso dispor milhões de metros cúbicos de areia, litros e litros de água salgada, uma forma de instalar nessa água marés, correntes e ondulação, vocês poderão ir à praia, poderão apanhar sol na praia, poderão até mergulhar na praia (que o mergulho se efectua na água do mar e não na areia é subentendido), mas não, não fazem praia. Que mania da megalomania!

"E então Barnabé perguntou a Deus o que iria Ele fazer, e a Voz respondeu-lhe: "Bom, antes da hora do almoço tenho que lançar dois tufões no Pacífico e um terramoto no Quénia, mas é coisa pequena, portanto acho que me vou entreter a fazer praia". E então Deus fez as praias de Copacabana e da Cruz Quebrada, e todos se regozijaram e louvaram o Senhor"(Barnabé, 12:4).

Advertimos ainda que o diminutivo de praia, piroso como todos os diminutivos, é praiazinha, ou ainda praiazita, mas não "praínha", que não existe na lingua portuguesa e soa parecido com "taínha", que são aqueles peixes que se amontoam no Tejo e no Douro, banqueteando-se quando há descargas de esgotos (nota: se quiserem MESMO irritar-me, digam "vou fazer uma praínha" - não me responsabilizo pelos resultados).

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quarta-feira, julho 27, 2005

 

Cavalheiros, está oficialmente aberta a época da caça às bifas

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Com o Verão, este blogue entra de cabeça na silly season (e ponham silly nisso!). Desta vez com uma fantástica descoberta de engate, qual revista adolescente, que transformará a silly season dos nossos leitores em horny season. Aham, eu sabia que continuariam a ler...

Antes demais, o disclaimer do costume: o Pombo tem uma namorada, o que o impede de levar as suas investigações às últimas consequências e se as faço é por amor à humanidade.

Esta semana debruçar-nos-emos sobre ice breakers. Aí estão vocês, sozinhos em Lisboa, enquanto todos os vossos amigos curtem à grande no Algarve ou noutro lado qualquer e vêem um grupo de loiras suecas. Pensam vocês "Como abordar este grupo de fêmeas que ousou penetrar na coutada do macho latino, sem ter uma gota de álcool a agitar o sangue, de forma a não dar ar de psicopata?"

O Pombo pensou nesse problema e tem a solução.

Material necessário:

+ Um bloco de folhas brancas A4 (ou qualquer outra dimensão, desde que as folhas sejam destacáveis);
+ Um lápis, caneta de tinta da China, lapiseira (aquilo com que se ajeitarem melhor);
+ Um par de tomates situados no local anatomicamente correcto.

Elas estão sentadas a uma mesa da Brasileira. Vocês abordá-las-ão assim: "Hi! My name is_______ . I wonder if I could draw a portrait of you." Se elas disserem que não, sejam insistentes, digam que não têm que pagar nada e comecem mesmo a desenhar contra a vontade delas, mantendo sempre o sorriso e o bom humor (observem o comportamento dos monhés das rosas e aprendam). Comecem a desenhar. Farão um desenho muito básico, tosco até, mas dando a impressão de que estão a fazer uma verdadeira Mona Lisa. Enquanto desenham, muito importante: mantenham a conversa a correr. Quando terminarem, olhem para a bifa que estão a desenhar, olhem para o vosso desenho e, antes de lhe mostrar, digam algo como "Hum, did I mention it's my first day on this job?". Depois disso, podem desenhar as outras, que de certeza terão achado imensa piada ao desenho da primeira. Têm a atenção delas, o que é a parte mais difícil, a partir daí estão por vossa conta numa escalada vertiginosa que só parará numa cena de sexo selvagem convosco e 5 lésbicas ninfomaniacas escandinavas num quarto de pensão no Rossio.

Afinal valeu a pena ficar em Lisboa no Verão, não valeu?

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terça-feira, julho 26, 2005

 

Deveria ser proibido!

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Deveria ser proibido uma pessoa arrombar a fechadura do carro de outra e gamar-lhe a carteira e os cds do porta-luvas, devia ser proibido! Sim, porque no tempo do Salazar não havia nada disto, nem ciganada, nem paneleiragem, nem parquímetros, nem drógados (atenção à acentuação na sílaba “dró”) e eu noutros tempos correria atrás deles, procurá-los-ia por todos os becos de Alfama, com a chibata de rabo de pacassa trazida de Nampula, mas enfim, que eu sou uma pessoa doente derivado aos meus achaques e já se sabe que a polícia o governo a cambra municipal não fazem nada, nada, nada, é só vê-los passear na altura da campanha e ó depois nicles. Pois, é um país de merda, estas coisas só em Portugal. E entretanto estamos aqui a falar e anda um filho da puta dum drógado de certezinha a ganhar o seu panfleto de cavalo à custa da venda dos meus cds de jazz, trastes, pulhas, cobardolas! O meu BI já deve ter sido alterado com uma outra foto e deve ter o nome dum gajo de leste qualquer, algum Igor Imorotovitch, sim, porque a culpa disto é dos de leste. Dos de leste e dos africanos e dos maricas e dos políticos e dos da Madeira e do Bloco de Esquerda. Não sei bem como relacionar a Madeira com tudo isto, mas de certeza que deve ter algo a ver também.

E eu com uma croata e um italiano, tinha acabado de dizer-lhes que Portugal era um país com pouco crime e de brandos costumes (eu sei a verdade, vocês também; não é necessário que os estrangeiros o saibam), e eles a agarrarem-se com força aos seus pertences, pensando que é preciso ter cuidado quando se vem para países estrangeiros e caóticos fora da Europa, o italiano a perguntar-me se não teria amigos na máfia que me solucionassem o problema e eu a ter que dizer que não, que ao contrário da Itália, onde a máfia faz trabalho pro bono, a nossa máfiazeca é tão inútil e merdosa que nem aceita protegées mediante o envio de currículo e já nem sabem como se fazem uns sapatinhos de betão para imersão no rio Tejo.

Mas quem poderia adivinhar que um ladrãozeco se manteria activo numa segunda-feira às duas ou 3 da manhã a assaltar carros estacionados junto à casa dos bicos? Segunda-feira à noite!! Esses merdas não têm um emprego? Não têm que se levantar cedo na segunda para gamar carteiras no metro? Devia ser-lhes imposto um horário de trabalho!

Portanto, lanço um apelo: se o ladrão é um fã deste blogue (temos bastantes fãs no submundo do crime, ou entre advogados, o que vai dar no mesmo), pense nos sublimes momentos de puro prazer intelectual que lhe providenciei e devolva-me as coisas direitinho, e não se fala mais nisso.

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segunda-feira, julho 18, 2005

 

I have a dream...

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Esta noite tive um sonho curioso. Sonhei que o Stanley Ho, representando um consórcio público-privado que integrava igualmente o governo da República Popular da China chegava à Madeira, olhava em redor e dizia "Eu compro esta merda toda. Digam-me o vosso preço e ponham num saquinho, porque é para levar."

Portugal ficou então livre de déficit orçamental até ao ano 2348 e livre do Alberto João Jardim por igual período de tempo, já que este foi destacado para o província remota de Nang Xuang Xing para servir de dique para conter as inundações do Rio Amarelo. Funchal passou então a chamar-se Fung Xial, quase instantaneamente desapareceram misteriosamente todos os cães e gatos vadios na ilha e Portugal, graças à Madeira, tornou-se na maior potência têxtil do mundo ocidental.

Depois o sonho evoluiu para uma festa de dançarinas escandinavas em topless fazendo badalhoquices com pauzinhos chineses, o que apenas contribuiu para reforçar a minha convicção de que se trata de um sonho pelo qual vale a pena lutar.

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sexta-feira, julho 15, 2005

 

Lição de economia de mercado "for dummies"

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Quando chega certa altura do ano, é sempre a mesma coisa: vêm de lá as companhias de teatro, dança contemporânea, ballet e etc. em amarga procissão, e o choradinho do costume: que o Ministério da Cultura não abre os cordões à bolsa, que estão à beira de fechar, que o Estado não dá valor ao seu trabalho…
Confesso que sempre achei isto um pouco estranho. Pela análise que faço das vidas dos maiores artistas, dramaturgos, actores, escritores, poetas da história, sempre concluí que a opção de ser artista comportava uma grande dose de coragem e espírito de sacrifício e até um carácter empreendedor. Grandes artistas célebres tinham outros empregos para sustentar a sua paixão. Outros dedicavam-se a ela em exclusivo, aceitando conscientemente e com dignidade a possibilidade de virem a morrer na miséria (e muitos de facto morreram assim).

Não estão a ver o Shakespeare a ir bater à porta da rainha Isabel I e a dizer "Se não me derem um subsídio já, eu e a minha companhia não pomos em cena a minha nova peça, chamada Hamlet!", pois não? Pois, eu também não... Desde logo, porque conhecendo o cadastro da senhora, as probabilidades de o famoso dramaturgo voltar com a cabeça colocada sobre o pescoço como sucede com as pessoas normais que nunca tiveram um encontro desagradável com um machado, seriam ínfimas (talvez fosse solução a ponderar para os nossos subsídio-dependentes).

Compreendo e concordo que se apoiem iniciativas em zonas sem grande oferta cultural, como no interior, mas… Em Lisboa e no Porto??!!
Nestas últimas, deve valer a livre concorrência, como em qualquer outro ramo. A coisa, para quem não sabe ou não quer saber, deve funcionar assim: se o espectáculo é de qualidade e as pessoas gostam, é um sucesso e a sua viabilidade está assegurada; se o espectáculo é enfadonho e incompreensível, salvo para meia-dúzia de pseudo-intelectuais que dizem compreendê-lo só para não passarem por simplórios, quando na realidade também não fazem a mais pálida ideia do que é suposto ser aquilo, o espectáculo fracassa. Quanto a estes, das duas uma: ou fecham as portas, ou então, para sustentarem um espectáculo artístico economicamente inviável, “vão trabalhar, malandros!”.

Se se queixam que o povo não vai ao teatro/à ópera/à dança/a concertos de música clássica, façam espectáculos mais apelativos, desçam os preços, estimulem a procura.

Um bocadinho de economia não morde nem corrompe irreversivelmente as alminhas sensíveis dos nossos artistas. A pedinchice é que os avilta e os torna indignos do nome “artista”!

Chamem-me quadradão se quiserem, mas acho um absurdo o Estado subsidiar espectáculos de dança contemporânea totalmente herméticos e obtusos enquanto houver um só agente da PSP miseravelmente pago que tenha que se envolver numa perseguição na Cova da Moura ou afins sem um colete anti-balas, porque estes custam dinheiro e saem do bolso de cada um.

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Funafunanga (a última alucinação)

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(Dedicado a quem quiser que lhe seja dedicado)

Quando pensava que poderia gozar tranquilamente a minha doutoral estupidez atestada pelo selo branco da Universidade, refiz as contas da média. "É a aritmética, estúpido!". Mais duas orais para elevar a mé(R)dia final, só mais duas, tal como o viciado em heroína promete a si próprio mais dois chutos na veia antes de largar, só que o único pó branco neste caso é a caspa que se acumula nos ombros do esfíngico catedrático.

De regresso à faculdade, às teorias, ao livro do Alexy traduzido em castelhano que nunca na vida tive paciência de ler, mas que não perco uma oportunidade de citar, porque fica bem e demonstra erudição citar doutrina alemã. Enfiados na biblioteca, as mesmas caras feias que vi todo o ano, mas agora com uma luz mais intensa, bronzeadas só nos braços à camionista, parecem-me desmesuradamente horrendas e disformes. A Faculdade de Direito não é, por natureza, um local bonito ou agradável, porque não é suposto ser um local bonito ou agradável, mas no Verão piora... Ou então é do contraste entre o sol e a vida palpitando lá fora, e as trevas catacúmbicas dos seus corredores, com as suas criaturas subterrâneas e inquietantes.

Na minha cabeça ainda a praia, os preparativos de uma viagem que por agora suspendo, um livro deixado a meio em pleno pico de frenesim criativo, as noites de bebedeira numa espelunca em Almada frequentada por tipos que têm ar de quem me vai estender uma faca no momento a seguir, mas isso não importa porque a caipirinha é a um euro e se beber cinco recebo uma grátis de bónus, os festivais de jazz que aponto na agenda mas que na altura acabo por não ir por preguiça e fico horas a ouvir "A night in Tunisia" do Art Blakey no leitor de cds como forma de autocomiseração. "O júri é um filho da puta e um canastrão", apetece-me escrever em letras góticas e garrafais como fundamentação do recurso que interponho de um exame. "Tou, João, é a Marta [oiço barulho de fundo de crianças a correr e de uma toalha cor de laranja sendo sacudida na praia, a vaca!], já que estás aí vê se já me saiu a nota de Teoria Geral das Inutilidades Dogmáticas e Banalidades LaPalicianas Pomposas".

Dou por mim, absorto, a desenhar no bloco de notas formas arredondadas (um psicanalista diria que são fálicas, mas os gajos vêem pirilaus em tudo), preencho-as com formas rectilíneas e geométricas como losangos, linhas diagonais da esquerda para a direita, outras da direita para a esquerda, espirais. O resultado surpreendente é uma espécie de dragão chinês com um certo ar de ex-líbris art nouveau. Baptizo-o de Funafunanga, um som que me resultou há meses atrás ao desconstruir uma frase qualquer, repetindo-a ad nauseam, como que num jogo do telefone comigo mesmo, até se tornar tão abastardada que mais não é do que um absurdo total, o absurdo funafunanga.



Este blogue, tal como a vida, retomará a sua programação habitual para a semana que vem.


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quinta-feira, julho 14, 2005

 

Um ano de incontinência crónica

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Olha, olha!
Escondido algures num bunker no Alentejo, suando frio e tremendo de medo por ter a cabeça a prémio dada a fatwa contra mim lançada pelo Clube de Fãs da Diana Andringa (se me apanham, obrigam-me a 48 horas seguidas a ouvi-los discutir Noam Chomsky ou a uma sessão contínua de filmes do Spike Lee, e isso, acreditem, é pior que ser apanhado no meio dum arrastão - no mar alto, ou na praia), esqueci-me que este blogue faz por esta altura um ano!

Agradecemos a todos aqueles fãs que nos seguem e apoiam desde o início, até os mais fundamentalistas (queria aproveitar para dizer à menina Sónia Catarina do Feijó que me anda há vários meses a roubar boxers do estendal para colocar no seu altar doméstico do Pombo Incontinente que se quer adquirir merchandising, contacte os nossos serviços, não é necessário entrar-nos em casa às 3 da manhã e dar xanax ao cão), blá blá blá...

Feito o anúncio institucional, let's get down to business...

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sábado, julho 09, 2005

 

E o Óscar para o filme mais hipócrita vai para... "Era uma vez um arrastão", de Diana Andringa!!

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Pensava, na minha inocência, que o revisionismo histórico era uma especialidade dos extremistas de direita. Vejo agora, pelo filme "Era uma vez um arrastão", que é uma especialidade dos extremistas. Ponto final. Nesta curta-metragem, Diana Andringa, conhecida jornalista afecta ao Bloco de Esquerda, passa vinte minutos a transmitir montagens de peças jornalísticas, acompanhadas a rap, na tentativa de fazer o espectador acreditar que o Arrastão de Carcavelos nunca aconteceu, antes foi uma fabricação dos media, impregnados do lobby neo-nazi e nacionalista (esse poderosíssimo lobby junto da nossa comunicação social!). Boa tentativa, Dianuxa!

Ao ver este filme, já se adivinham as próximas obras da Historiografia Bloquista:

- "A Culpa é das Torres Gémeas", livro de 846 páginas, da autoria de Fernando Rosas, em que o autor cita fontes como os Evangelhos Apócrifos de São Tozé, revelados pelo próprio perante um grupo limitado de seguidores num snack-bar da Rinchoa, para provar que o 11 de Setembro não foi um ataque aéreo contra as torres do World Trade Center, mas sim um ataque das torres (símbolo do grande capital monopolista) contra dois aviões que inocentemente passavam por perto, levando uma pequena excursão de elementos do Clube de Campismo de Kabul. Além disso, as torres desrespeitavam a altura máxima prevista no Plano Director Municipal de Manhattan e estavam construídas na zona povoada por uma colónia de 30 ratazanas paraguaias na época da migração anual para acasalamento (pós-fácio de João Sá Fernandes contando como propôs várias providências cautelares para que parassem a obra e, simultaneamente, anunciando a sua candidatura a mayor de NYC).

- "O Rei vai nu!... E com uma linda coroa de plumas de flamingo cor de rosa", da autoria de Boaventura Sousa Santos, que revela a homossexualidade do nosso Pai da Nacionalidade D. Afonso Henriques, que lutava pela causa de criar um país onde os gays, lésbicas e transgenders pudessem caminhar livremente de mãos dadas, casar e adoptar crianças. Toda a guerra contra os Mouros não foi contra o povo muçulmano em si, cujo direito à diferença o nosso rei respeitava, como homem moderno e tolerante que era (D. Afonso era aliás, grande admirador da cultura árabe e um dia mandou o seu amigo Martim Moniz à cidade moura de Lisboa comprar uns bugos de haxixe marroquino, mas sem querer entalaram-no na porta, e desde então a zona de Lisboa conhecida pela sua infinita mourama e chiribitis vendidos às abertas dá pelo nome de Martim Moniz). Era apenas contra alguns mais fanáticos e violentos que tinham o mau hábito de discriminar as mulheres e de mergulhar os genitais dos homossexuais em azeite a ferver, o que no século XII poderia ser bastante desagradável, sobretudo no final de um dia stressante com problemas com o pagamento das prestações do leasing do cavalo e depois de se ter levado com um balde de excrementos em cima, lançado de uma janela, durante a hora do almoço.


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quinta-feira, julho 07, 2005

 

A metafísica do after-shave

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Ontem fui ao supermercado comprar after-shave. A minha dúvida recaía entre um "à antiga" dos que põem o rosto em carne viva e até fazem crescer pelos nas costas, e um "sem álcool".

Quase estive para levar o sem álcool, até que me apercebi do terrível erro em que basearia a minha decisão: conluí que o que é bom para o meu estômago, também há-de ser bom para a minha cara.

Fica o pensamento do dia, meditai sobre isto, para substituir um post sobre os atentados de Londres que retirei, pelo facto de, daqui a umas horas, com a contagem oficial das vítimas, não saber se uma pitada de humor negro não se transformará numa piada de profundo mau gosto (e nessa altura, não estarei por aqui para a retirar).

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terça-feira, julho 05, 2005

 

Morangos com Arsénico

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Recentemente, pela primeira vez, vimos um episódio da série "Morangos com Açúcar" - passada na praia, para se adequar à época do ano - e acerca dela chegámos à mesma conclusão que chegámos quando vimos a sua antecessora "Riscos": os argumentistas precisam de um urgente "reality check".

Além da questão óbvia de haver tipos da minha idade a fazerem-se passar por adolescentes em idade escolar, a série tem algumas deficiências, tais como:

- No mundo real, um homem nunca se refere a uma mulher em quem está interessado, junto dos seus camaradas, como "ela é linda, é tudo aquilo o que eu queria", antes faz comentários espirituosos sobre o seu rabo e peito, e conjectura sobre aquilo que faria a cada um deles. Sinceramente, estão a ver um gajo, a mamar jolas com os amigos e dizer "ela é linda, é tudo aquilo o que eu queria"??

- No mundo real, a única razão pela qual uma pessoa se esconde dos outros para fumar um charro é o facto de os amigos serem tão ou mais queimados que ele e acorrerem às dezenas para cravar un bafos do precioso bagulho, e não para evitar reacções adversas.

- Na vida real, um salva-vidas prestável (que vai buscar água ao pessoal e os ajuda nas suas dúvidas metafísicas) é um contra-senso. O papel dos salva-vidas é essencialmente estarem deitados na praia todo o dia, dedicando-se à noite a colher os benefícios da sua intensa laboração diurna: pitando as moças a quem bateram o couro na praia.

- Na vida real, as pessoas dizem palavrões quando discutem. Muitos. Pelo menos, dois por frase. E não, "malvado" e "irra!" não são considerados palavrões.

- Creio que a série seria muito enriquecida se introduzissem um bando de mânfios suburbanos, com um pit bull à solta e sem açaime e uma loiraça com ar de bardajona no meio (há sempre uma loiraça no meio dos grupos de mânfios veraneantes) que dariam uma enorme sova ao grupo de betinhos da série, sem partes censuradas, e lhes roubariam tudo, incluindo a roupa, obrigando-os a voltar a casa a pé pela berma da auto-estrada, apenas cobertos por folhas de palmeira, sendo alvo da chacota geral. Proponho esse final bombástico.

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Não comento, mas se comentasse achava mal

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O Presidente da República, Jorge Sampaio, recusou hoje comentar as afirmações de Alberto João Jardim sobre a presença de chineses e indianos na Madeira, mas avisou que "em caso nenhum" devem ser feitas declarações que possam ser interpretadas como "racistas e xenófobas".

Eu também não comento as concretas declarações do Presidente Sampaio, no entanto creio que a mania de dizer que não se comentam casos concretos, para a seguir referir que uma situação desse tipo, em tese geral é assim ou assado, é - e refiro-me a essa tendência em geral, sem individualizar quaisquer pessoas - completamente imbecil.

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