terça-feira, maio 31, 2005

 

A arte de rapar o tacho

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Passeando pela Bolsa de Emprego Público, site onde se encontram os anúncios dos diversos concursos públicos para o provimento de lugares na Administração, deparei-me com esta verdadeira pérola, entre outras:

"Organismo: Câmara Municipal - Loures

Cargo: Chefe Divisão Municipal

Área de Actuação: Em função da organização e objectivos dos serviços da Câmara Municipal de Loures, as áreas funcionais do cargo abrangem a aquisição de Bens e Serviços, Gestão de Stocks e Gestão de Armazéns.
[Comentário: basicamente, a função consiste em manter os departamentos da Câmara com clips, tinteiros de impressora em quantidade suficiente. Tarefa complicada e de elevado grau de especialização técnico-científica!]

Remuneração Mínima: 2362.96 EUR
Suplemento Mensal: 181.43 EUR
[Comentário: sim, leram bem... Cerca de 500 contos mensais pelo "biscate", o que é bastante mais, por exemplo, do que ganha um juiz em início de carreira. "Crise? Qual crise?!"]

Conteúdo Funcional:

Habilitação Literária:
Licenciatura - Geografia e Ciências Socias
[Comentário: pensavam que o curso de geografia era inútil? Agora não só habilita à carreira de professor desempregado, como a um tacho remunerado a 500 contos mensais. Resta saber em que é que um geógrafo é melhor a gerir e manter stocks que um economista, ou gestor!]

Perfil:
Experiência em Cargos de Dirigentes nas Câmaras Municipais.Preparação técnico-operacional nos domínios de análise do mercado, de gestão previsional de bens e serviços, de procedimentos da aquisição e o respectivo enquadramento legal.Conhecimentos de infra-estruturas organizacionais da Câmara e sensibilidade para as necessidades específicas das unidades orgânicas, Juntas de Freguesia, Colectividades."
[Comentário: Estão a pensar o mesmo que eu? Exacto: quantas pessoas existirão, licenciadas em geografia (?!), com preparação técnico-operacional nos domínios de análise do mercado, de gestão previsional de bens e serviços, de procedimentos da aquisição e o respectivo enquadramento legal, conhecimentos de infra-estruturas organizacionais da Câmara etc. etc. etc.? ]

Sugiro à edilidade de Loures, bem como às outras entidades públicas que costumam ter este tipo de regulamento de concurso "público", que para a próxima coloquem logo a fotografia da pessoa em concreto a quem querem atribuir o tacho. Poupam em palavras e vão directos ao assunto!

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domingo, maio 29, 2005

 

O meu momento zen da semana

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É curioso... Ainda há uns dias, pareceu-me ouvir gente a gritar na rua "E ninguém pára o Benfica, ninguém pára o Benfica, ninguém pára o benfica, oéeooo"...

Irónico... Terei ouvido mal? De certeza! As pessoas não andam para aí a gritar disparates em plena rua!


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sábado, maio 28, 2005

 

Isto é mesmo MUITO à frente!

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Já vem sendo um hábito ler o The Harvard Crimson ou a The Harvard Independent, ambas revistas de estudantes de Harvard, e virem-me as lágrimas aos olhos quando comparo essa Academia com o sucedâneo gelatinoso de ensino superior que temos por cá. Desta vez, excederam-se!

Enquanto nós batalhamos pela avaliação pedagógica dos docentes, do outro lado do oceano estão uns quantos passos à nossa frente: lançaram, na respeitável Indy, um inquérito para determinar qual o/a professor/a mais sexy da Universidade !

No entanto, se as duas jovens mestres são a fina-flor da beleza feminina com um PhD, devo dizer que lhes damos baile nas calmas*. Simplesmente não apreciamos devidamente, ofuscados que andamos com as luzes da estranja.

Nota: para os colegas da FDL que discordam desta afirmação, digo-vos apenas o seguinte: Isabel Parreira, Helena Morão, a-assistente-de-História-do-Direito-Que-me-fez-oral-no-primeiro-ano, Mafalda Carmona...

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quinta-feira, maio 26, 2005

 

Tudo aquilo que sempre quiseram saber e nunca tiveram coragem de perguntar sobre o ACNUR

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Após a explosão de alegria que se seguiu à confirmação da notícia de que não nos arriscamos a ter António Guterres como presidente da república nos próximos anos, uma pergunta surge na mente de todos os portugueses: mas, ao certo, o que é que é suposto fazer um Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados?

Vamos decompor o nome do cargo:

Alto: diz respeito à estatura do titular do cargo. Antes, chamava-se apenas "Comissário", mas após o final do mandato de António Vitorino na Comissão Europeia (apenas Comissão, ora aí está), a Assembleia Geral das Nações Unidas deliberou passar a chamar-se "Alto Comissário" para que Vitorino tirasse o cavalinho da chuva. Apenas são admitidos candidatos com mais de 1,75 cm (rezam as lendas que Guterres compareceu ao casting com sapatos de tacões de 5 cm).

Comissário: Tal como os comissários europeus, e como o nome indica, trabalham à comissão. A coisa funciona um pouco como o Protocolo de Quioto: cada Estado tem um certo número de refugiados por ano que pode expulsar, deportar, massacrar ou torturar na sua actividade de gestão corrente. Imagine-se que o Botswana quer invadir a Albânia, o que a obrigará a gerar mais 600 mil refugiados famintos acima da sua quota para 2005. Não há stress! Pode comprar 300 mil à Suécia e outros 300 mil a Trinidad e Tobago, pagando ao Alto Comissário dos Refugiados uma comissão de 20% pelo agenciamento do negócio!

das Nações Unidas: organização internacional de objectivos simpáticos e altruístas, sem grandes poderes de intervenção, mas que são muito bons a apelar à paz, ao respeito pelos direitos humanos, enfim, a apelar a coisas. Não necessita de fazer muitas contas, pois deixa essa tarefa para instituições menos simpáticas como o FMI, a OMC e o Banco Mundial. É como se tivesse "Guterres" escrito na testa!

para os refugiados: Refugiados são pessoas que se vêem forçadas a deixar os seus países por não serem desejadas lá, pelas mais diversas razões. Tal como Guterres.

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quarta-feira, maio 25, 2005

 

A local blog for local people

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Saí da fnac com um pacotinho azul preso nas mãos, olhando para todo o lado com o ar desconfiado de quem leva um carregamento de cocaína. Encontrara aquilo pelo qual há meses ansiava, e finalmente poderia satisfazer as minhas necessidades mais inconfessáveis.
O nervosismo apodera-se de mim. Quase tive um acidente à saída do parque de estacionamento devido ao suor que me escorria das mãos e complicava a tarefa de segurar no volante. Olhava para o pacotinho azul sobre o assento direito e salivava…

A preparação da dose, um momento importante: assegurei um fornecimento generoso de cervejas e tremoços, a sala mergulhada em escuridão. Abri o pacotinho azul. O dvd proibido luzia no seu interior.

Enfiei-o no leitor. Do televisor iniciou, em surdina, a música que tão bem conhecia de outras noites bem passadas. A sua intensidade aumentava, triunfalmente. De repente, uma imagem, reconhecível em todo o mundo por gente da minha laia: no fundo, um campo verdejante, uma estrada, uma cabana a dizer “local shop” e, em grande plano, uma tabuleta:

“WELCOME TO ROYSTON VASEY
YOU`LL NEVER LEAVE”



Total êxtase. Bati palmas, gritei “hurra!!”
Finalmente, todo o estranho mundo de personagens da aldeia de Royston Vasey, perdida no norte da Inglaterra, uma vez mais ganhavam forma perante os meus olhos. A inefável Tubbs, velha dona da “local shop for local people” com uma libido incontrolável, o seu marido Edward, que a manteve na ignorância durante toda a vida dizendo-lhe que a existência de Swansea (espécie de Costa da Caparica inglesa, mas para pior) não passava de um mito, Pauline, a formadora do centro de emprego que se assegura que nenhum desempregado algum dia irá sair dali e fazer algo de útil, o veterinário da aldeia, que consegue inadvertidamente matar todos os animais em que toca, a tia Val e o tio Harvey, e os seus estranhos hábitos tais como criar sapos (perdão, not frogs… TOADS!) em aquários e beber a sua própria urina porque faz bem à pele, para desespero do seu sobrinho, o único “normal” da série; o grande Papa Lazarou, o palhaço mais aterrador da história circense, com os seus “You are my wife now!!”

Por fim, acabo uma sessão de três horas a rir à gargalhada com episódios da 1ª série de “League of Gentlemen”, ainda ofegante, acendo um cigarro, e pergunto à minha companheira de sofá: “Foi bom para ti?”. Ela encolhe os ombros, conformada, incapaz de perceber as subtilezas desta série de humor sórdido, e de entender porque é que é que irrompo em gargalhadas sonoras quando Tubbs diz, pela 354ª vez “there`s nothing for you here! This is a local shop for local people!”, incapaz de perceber porque é que é hilariante ver o veterinário de Royston Vasey tentar curar um caniche com problemas de flatulência e acabar por liquidá-lo, numa explosão de gás metano na lareira.

Só nós, os eleitos, entendemos a mensagem!

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terça-feira, maio 17, 2005

 

Declaração de Apoio

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O Pombo Incontinente gostaria de deixar bem claro que apoia os esforços de Kumba Ialá por uma nova Guiné Bissau.



Porquê? Pela mesma razão que apoiávamos os esforços de Ansumane Mané por uma nova Guiné Bissau (até que este foi alegadamente morto... por Kumba Ialá): achamos piada ao nome! Além disso, é preciso tê-los no sítio para andar de barrete de lã num país tropical, ainda para mais, onde metade da população quer matá-lo imediatamente e a outra metade quer servir-se dele por uns tempos para depois lhe limpar o sarampo...

Para um post mais elaborado, procuram-se voluntários para me explicarem a política da Guiné Bissau, que é como a telenovela: perde-se um episódio e já não se percebe nada. Comecem pela parte do Spínola e do Nino Vieira, se fazem favor...

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segunda-feira, maio 16, 2005

 

Mais um momento "Aprendam que eu não duro sempre" - powered by Pombo

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Esta é para os homens que me lêem. Finalmente o Pombo, imbuído do melhor espírito missionário, revela um pouco da sua milenar sabedoria de engate!

Imaginem o seguinte case-study: é sexta-feira e o jovem macho dominante encontra-se inquieto, por se encontrar há demasiado tempo sexualmente desocupado. Para tornar as coisas piores, a aproximação do fim de semana fá-lo estremecer e suar de receio, por não ter outros planos além de ir esfregar a banheira da avó ou a própria avó.

Situação frequente, sobretudo quando o predador masculino, pela sua eficácia no toca-e-foge, esgotou todos os recursos naturais (naturais e alguns de silicone) da sua área de influência. Que fará o pobre coitado?

A resposta, meus amigos, é óbvia: inscrever-se num workshop de meditação, yoga, reiki ou qualquer uma dessas tretas new age. O Pombo já lá esteve e sabe do que fala. 90% das pessoas que lá vão são mulheres (é claro que dessas, 50% são feministas com bigode, freaks de belas-artes cujo cabelo cheira a ratos mortos, ou lunáticas zen com a voz empastelada de quem parece viver uma perpétua pedrada de haxixe. Mas as outras 50% são meras curiosas, por regra bastante papáveis, e não digo no sentido católico do termo. São essas - e apenas essas - o alvo).

"Ok, Pombo. Mas isso resulta com galãs de carisma irresistível para o mulherio, como é o teu caso! Comigo não!", dizem-me vocês.

Errado, meus caros amigos! Pensem! Além do mulherio, que tipo de homens vai a workshops de yoga e meditação budista? Há essencialmente 4 tipos de homens:

1º: Totós new age com ar abichanado
2º: Totós new age com ar abichanado
3º: E mais, adivinhem: totós new age com ar abichanado
Por fim, 4º: Vocês.

É essa basicamente a vossa "concorrência". Por mais horrendos que sejam, tal como este vosso amigo que vos escreve, serão sempre o macho dominante em tal meio. Acreditem em mim! Se conseguirem cultivar um ar saudavelmente desmazelado, melhor: facilmente conseguirão convencê-las que passaram 5 anos no Nepal, no convento de Xenzixing Lu-Pang, a aperfeiçoar a técnica milenar do cunnillinguis zen e da canzana à Buda Bem-Aventurado e assim atrair cinco ou seis discipulas para uma sessão de divulgação.

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quarta-feira, maio 11, 2005

 

Shalom, ó boa! No meu kibutz ou no teu?

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Descobri recentemente que o bisavô da parte do meu avô paterno era judeu, o que faz com que 1/8 da minha pessoa provenha do povo de Abraão. É verdade, o meu nariz sempre suscitou uma certa desconfiança, agora confirmada!

A Revelação logo despertou em mim um súbito acesso de consciência étnica. Passei essa tarde eufórico a correr pela casa, gritando "Sou judeu! Sou judeu!!", ao que a minha mãe comentou "Está certo, filho. É por isso que na rua te confundem com um turista bife... Há muitos judeus ingleses, ora aí está" (nota mental: enviar uma carta ao ramo inglês da família Rotschild a pedir um subsídio para financiar a minha campanha de judaização. Uns milhares de euros, o que é isso entre compadres judeus?).

Depressa me apercebi que ser membro de uma minoria étnica, apesar de ter a sua piada, tem o seu preço:

Começou nessa noite, quando no Bairro Alto perguntei ao barman se por acaso o vodka que me queria servir era kosher, ao que ele respondeu perguntando se isso era algum shot novo (entretanto procurei por todo o Bairro pelo tal Bar Mitzvah, mas continuo sem saber onde fica).

Além disso, por mais que me digam que as gajas adoram, eu faço questão em ser o único judeu não circuncisado (certamente que o Todo Poderoso terá mais em que pensar do que na minha convicção de que pénis e bisturi não combinam... E quem diz circuncisão, também diz quanto à carne de porco... Na altura do Moisés de certeza que não havia as normas sanitárias que existem hoje, daí ser considerado animal impuro).

Assim que me apercebi que pertenço à mesma raça que Freud, Einstein e Woody Allen, abri os olhos para a discriminação de que sempre fui vítima, sem o saber, como no outro dia, numa fila interminável:

POMBO: Humpf! Isto nunca mais avança… Também outra coisa não seria de esperar, não é?
HOMEM 1, QUE SE ENCONTRA À MINHA FRENTE: Desculpe? Importa-se de explicar?
POMBO: Não me venha com essa conversa da treta! As suas mãos estão sujas com o sangue do meu povo!
HOMEM 1: Perdão?
POMBO: Sim, seu branco miserável e xenófobo! Eu conheço bem o seu jogo, não é, "Adolf"?! Estou a ser vítima de discriminação racial!
HOMEM 1: Hmm permita-me que lhe relembre que o senhor é mais branco do que eu!
POMBO: Eu não sou branco!!! A sua ânsia de me subjugar aos pseudo-valores da sua civilização ocidental revela racismo e antisemitismo! De acordo com a sua mentalidadezinha caduca eu deveria abdicar das minhas verdadeiras raízes, deveria renegar o legado do meu povo para me conformar aos seus estereótipos, não é?? A minha voz você não calará, tal como não nos calaram em Auschwitz!!

[entra em cena um batalhão de activistas do SOS Racismo]

ACTIVISTA: É verdade, nós vimos tudo! No Portugal do século XXI as minorias étnicas continuam a ser espezinhadas por uma sociedade racista e retrógada! O Pombo é mais um mártir da luta contra o anti-semitismo! Pombo, Pombo, dá-lhes no lombo!! Pombo! Pombo!...

HOMEM 1: Pronto, pronto, se é só por isso, passe lá à minha frente… [e o Pombo passa]

POMBO (passado um bocado): Humpf! Isto nunca mais avança… Também outra coisa não seria de esperar, não é?

HOMEM 2, QUE SE ENCONTRA À MINHA FRENTE: Desculpe? Importa-se de explicar?

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terça-feira, maio 10, 2005

 

Ah pronto, se tu o dizes...

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Esqueçam Rousseau, Montesquieu e Voltaire, calem-se os capitães de Abril e os veteranos da II Guerra Mundial, porque, na verdade, não era preciso tanto...



Como é bom ter alguém que nos abra os olhos para os significado da verdadeira libertação do homem, e não aquela que nos querem impingir!

Contudo, só uma pergunta à netcabo: se "um amigo de um amigo meu" tem uma box-pirata, o que lhe assegura 24 horas sobre 24 horas de desporto, cinema e pornografia inteiramente gratuítas, será ele o ser mais livre à face da Terra?)

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sexta-feira, maio 06, 2005

 

Ferrinhos o car*****!!

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Vou contar-vos uma história...
Era uma vez uma criança, de 11 aninhos, que tinha um génio musical oculto. Ao chegar ao 5º ano, essa criança viu pela frente um tipo de óculos de massa, rechonchudo, voz efeminada e penugem facial esparsa, algures entre o estilo rosto de adolescente e o de nádega peluda. Era o seu professor de educação musical.

Desde cedo, as incompatibilidades artísticas vieram ao de cima. Essa criança não conseguia distinguir um oboé dum clarinete e achava-o perfeitamente irrelevante, mais ocupada que estava em discernir a dimensão dramático-onomatopaica na obra sinfónica de um Bohuslav Martinu e na estrutura labiríntica dos solos de sax tenor de um Charlie Parker. Era igualmente incapaz de ler pautas, que considerava uma linguagem musical agrilhoante e arcaica, e por isso inventou um alfabeto musical alternativo, mais perceptível à sua mente genialmente dotada... Mas infelizmente os testes eram em alfabeto arcaico, pelo que obtinha notas miseráveis.

(É agora que eu grito: Quem gozar leva na fuça, essa criança era eu!)

Mas o fim do ano aproximava-se e com ele a actuação da mini-orquestra de câmara da aula de música. O tal mocinho sobredotado andava há meses a fazer lobby para ficar ele com o piano. Apesar de não saber tocar aquele instrumento, não lhe seria difícil improvisar um bom solo, dado o seu nível musical superior.

Duas semanas antes, o crominho menino-querido do professor ficou com o piano (hoje é o meu bom amigo Travassos -sobre o qual já nos debruçámos num post anterior- um grande pianista jazz em ascensão) e eu fiquei... Imaginem... COM OS FERRINHOS!!! Vocês sabem, aquele triângulo de ferro que faz pink! pink! quando se toca com outro ferro.

Nova discussão artística com o mestre. Fui expulso da aula num processo vergonhoso e injusto (bom, talvez não devesse ter gritado "Foda-se caralho!! Quem raio julga você que é, seu corneteiro de banda filarmónica dos bombeiros voluntários, panasca e lobotomizado, para me pôr com a merda dos ferrinhos??"... "bombeiros voluntários" é um bocado forte, admito-o).

No dia da actuação, resignado, pensei que se não podia mostrar ao mundo o meu valor musical, iria ser um músico escandaloso, estilo Sid Vicious dos Sex Pistols... Mas era um pouco novinho para arranjar um vício de heroína ou ir bêbedo para o palco (esta última só anos mais tarde, nas cantorias académicas)... Pensei em destruir o meu instrumento em palco. Mas despois lembrei-me: destruir uma guitarra em palco, ok, tem piada, destruir uma bateria também... Agora, COMO É QUE SE DESTROEM UNS FERRINHOS EM PALCO???? UNS FERRINHOS???!!!! É impossível! Imaginem um tipo aos pontapés aos ferrinhos e aquilo a fazer "pink! pink! pink!" e o público "Eh lá, este tipo é muita mau e muita rebelde!!".

Por isso toquei. E foi o mais brilhante concerto de ferrinhos que aquela escola de ignorantes musicais, ingratos e imerecedores alguma vez viu.

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quinta-feira, maio 05, 2005

 

Álbum de viagens do Pombo: Florença

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No quinto dia, perante a mediocridade da vida nocturna de Florença durante o mês de Agosto, decidimos que apanharíamos uma bebedeira épica nessa noite, desse lá por onde desse. Numa mercearia de chineses pigmeus comprámos uma garrafa de vodka, uma de sumo de laranja com gás e três copos de plástico e sentámo-nos os três nas escadinhas de pedra do palazzo dell Vechio. Noutras noites havia os concertos de jazz nas piazzas, os bares irlandeses e o berreiro da nossa senhoria. Naquela apenas a escuridão.

Três quartos de garrafa mais tarde, a Sílvia (nome fictício) saltou para a fonte e apalpou as nádegas nuas da réplica do David de Michaellangelo da piazza; a minha prima era cortejada por um calabrês barbudo que passara de bicicleta e a quem parecera cheirar a fêmeas em período de acasalamento. Eu—como sempre acontece quando bebo—meditava em silêncio e observava tudo num sereno êxtase de Buda, nutrindo um amor infinito por todo o universo, incluindo o gajo da bicicleta que me olhava de soslaio, tentando perceber se eu seria o namorado de alguma delas e se, consequentemente, se arriscaria a levar uma navalhada.
Mais tarde nessa madrugada, perdemo-nos. Andámos à toa por ruas e vielas até que os edifícios antigos deram lugar a bairros com ar suburbano. Foi então que assomado por um acesso de lucidez expropriei o mapa à minha prima, que controlava os nossos destinos, olhei para ele e disse-lhe “Guarda lá esta m*** e não se fala mais nisso. Estamos há duas horas a tentar orientar-nos em Florença com um mapa de Roma!”

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terça-feira, maio 03, 2005

 

Post digno de um photoblog lamechas

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Bom, agora que já passei um mês de férias neste simpático país e vi como vivem os seus exóticos habitantes (vocês), creio que já é hora de voltar para casa...

Ou seja, para Cuba!

Creio que se isto continua assim, entrarei para a história como o primeiro imigrante clandestino a fazer-se ao mar infestado de tubarões num barquito minúsculo para ir para Cuba...

É que a diferença é entre estar aqui...



E assim...




Ou aqui...



Tudo isto para dizer que é natural que ao longo dos próximos dias haja uma certa diminuição de posts... Agora quanto à razão... Rezem para que seja esta última.

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domingo, maio 01, 2005

 

O Pombo quebra mais um recorde!

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Hmmm... Isto está a funcionar bem? Hmmmm.... Err, olá pessoal! Está tudo bem convosco? Ora muito bem, pois então... Cá estamos, não é? Na mesma, como a lesma! Está um bonito dia, não está? Quer dizer, no fim de semana esteve melhor, mas eu de qualquer forma também gosto de tempo fresco... Está mais calor que no ano passado por esta altura... É a seca, não é? É o que dizem! Pois... Cá estamos, não há dúvida... É como diz o outro... O importante é ter saúde! Aí é que está!... Ora bem... Eis uma grande verdade... Sim senhor, muito bem... Pois...

TRRRIIIIIIIIIIIMMMMMMMMM!

Soa uma campaínha.
Um tipo de aspecto nórdico vem dar-me o prémio e anunciar que acabo de entrar para o Guiness como o blogger que conseguiu entreter por mais tempo os seus leitores a falar sozinho conversa de chacha de quem não tem nada para dizer, enquanto eu viro de um trago uma garrafa de moët chandon com duas top models de cada lado a darem-me os parabéns por ser tão maravilhosamente desinteressante.

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