terça-feira, fevereiro 08, 2005

 

Orgulho Hetero ou A História do Gajo-que-não-sabia-como-comportar-se-de-forma-politicamente-correcta

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Porque é que o vocabulário masculino se encontra tão povoado de metáforas relacionadas com a homossexualidade? E porque é que as usamos inadvertidamente sempre que—sem nós sabermos—existe um gay no grupo?

Um tipo vai para um bar com um grupo de amigos, mais uns quantos amigos de amigos, entre estes últimos encontrando-se um homossexual daqueles que não saltam à vista e ninguém teve a decência de vos prevenir antes (é claro que se andassem devidamente sinalizados, tudo seria mais fácil). A coisa inevitavelmente passa-se assim:

POMBO (no meio da conversa): Então pá, ainda não tinha comentado, mas esse cortezinho de cabelo é um bocado abichanado!

(neste momento um amigo meu que sabe arregala os olhos)

POMBO: O que foi, pá? Porque é que tás assim? Diz lá, meu, deixa-te de paneleirices!!

(todos param de falar e olham-me com o mesmo ar do “já te calavas!”)

POMBO: O que é se passa convosco esta noite?? Vão mas é levar no cú!

Mais tarde, algum dos meus amigos me confidencia à parte “Pombo, olha lá as palavras que usas. O X. é homossexual”. Eu coro e à primeira oportunidade tento compor as cenas, indo falar com o gajo com a subtileza politicamente correcta que é meu apanágio:

POMBO: Eh pá, aquela cena do “abichanado”, pá, tu não levas a mal, pois não? É uma expressão que nós homens usamos… Bom, é claro que tu sabes isso, também és homem como a gente, apesar de, pronto, de seres… Enfim. Portanto quando nós homens heterossexuais chamamos uns aos outros “paneleiro” não é no mau sentido, não é como ofensa… Quero eu dizer, eu não quis dizer que ser paneleiro seja ofensa, não vejo como uma coisa má, portanto dizemos paneleiro no bom sentido, num sentido carinhoso… Bom também não demasiado carinhoso, porque carinhos em excesso é um bocado apaneleir… Hum… Bom, tu percebes!



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