quarta-feira, fevereiro 16, 2005

 

Eu digo-vos onde enfiar as vossas lições de humildade

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Existe toda uma retórica paternalista construída à volta da ideia de os fracassos na vida constituirem lições de humildade, meios pelos quais a vida, o destino, Deus, o Grande Berlinde, consoante as versões, nos fazem apercebermo-nos da nossa pequenez.

Se um avôzinho de 70 anos te dá um baile no golfe e depois faz questão em comentar “Achei-te um bocado em baixo de forma. 30 anos, sabes como é, a idade não perdoa”, isso é uma lição de humildade.

Se o teu marido te troca por uma gaja mais nova e de design mais aerodinâmico e user-friendly, isso é uma lição de humildade.

Se perdes o emprego, a família, os teus amigos mudam de passeio quando te vêem na rua e acabas como um ridículo alcoólico a viver debaixo de um viaduto tendo por companhia uma família de ratazanas às quais já tratas pelo nome e com quem discutes Schoppenhauer, isso é uma lição de humildade.

Ora, quem disse à vida que nós queríamos lições de humildade?? Sinceramente não vejo qual é o mal em poder viver de nariz empinado, crendo-me o gajo mais fantástico à face da Terra. Parece-me até um plano de vida extremamente válido!

Porque é que o José Mourinho nunca tem “lições de humildade” e eu tenho?? Porque é que eu, que sou mais esperto, mais alto, mais belo, mais interessante e sobretudo mais humilde que esse totó, porque é que EU não tenho direito a ser convencido, sem que venham com lições de humildade (aliás, totalmente desnecessárias, dado eu ser tão fantasticamente humilde, tão maravilhosamente modesto)??

Porra, pá!



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