quinta-feira, setembro 30, 2004

 

Como lidar com operadoras de telemarketing

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Se vos irrita tanto a vocês como a mim serem perturbados na intimidade do lar por telefonemas de publicidade, continuem a ler. Quanto a mim, creio que elas seguem, com a ajuda de estranhos dons divinatórios, a lei de Murphy do telemarketing segundo a qual, se existe um momento totalmente inconveniente para ligar, é esse que elas escolhem; mas há que admitir que mesmo não estando de toalha enrolada e shampô nos olhos ou já com as chaves do carro na mão para sair atrasado, todas os momentos são inconvenientes para atender chamadas de telemarketing (Lei do Pombo).

Aqui vai um guia de como lidar com estas tele-stalkers, com dois objectivos:
1) Curto prazo: livrar-se delas no momento;
2) Médio/longo prazo: impedir que liguem de novo (pelo que dizer “eu nom fala português, eu moldovar. A sinhora nom istá” é jogada nula)

ERRADO

—Tou?
—Estou sim, aqui fala da Intercampus do Cacém. Quero fazer-lhe uma pergunta, se acertar ficará qualificado para ganhar uma oferta…
—Minha senhora, eu não estou interessado…
—Porque não está interessado? Não sabe ainda qual é a oferta...
—Pois, mas estou com pressa e…
—Olhe que se trata de uma oferta limitada, uma oportunidade única…

CERTO

—Tou?
— Estou sim, daqui fala da Intercampus do Cac…
— PÓ CAR***HO!!!!!!!!!
Clink!

Ou então:

ERRADO

—Tou?
—Estou sim, boa tarde, estou a falar-lhe do Citibank, gostaria de falar com o chefe de família.
—Neste momento não está, sobre que assunto deseja falar? Não temos qualquer depósito no Citibank (pergunta ingénua).
—De facto não têm e nem é necessário, pois o Citibank está a propor uma oferta especial de cartão de crédito gold, com dispensa vitalícia de anualidade.
—Pois, mas creio que não estaremos interessados…
—Mas deixe-me explicar um pouco melhor…
—Mas eu estava mesmo de saída…

CERTO

—Tou?
—Estou sim, boa tarde, estou a falar-lhe do Citibank, gostaria de falar com o chefe de família.
—Na nossa família não há chefes. Vivemos numa comunidade vegan com outras famílias numa quinta ocupada, onde sobrevivemos daquilo que produzimos, praticamos o amor livre, a pilosidade corporal livre e abolimos o conceito de dinheiro. Pode falar comigo que eu transmitirei a sua mensagem ao colectivo na próxima reunião do Conselho da Gruta.
—Ah, deixe lá…Boa tarde e obrigado.
Clink!

Ou ainda...

ERRADO

—Tou?
—Boa tarde. Aqui fala da Escola de Línguas e Informática Multicom. Já ouviu falar da nossa escola?
—Ah, bom, neste momento não está nos meus planos…
—Estamos a oferecer desconto de 50% nos nossos cursos a quem aceitar a nossa promoção.
—Pois, mas neste momento não é algo que me…
—Gostaria de visitar as nossas instalações em Almada?
—Terá que ficar para outra vez, eu…

CERTO

—Tou?
— Boa tarde. Aqui fala da Escola de Línguas e Informática Multicom. Já ouviu falar da nossa escola?
— Oh então com licença, você não está a falar comigo, está a falar com o meu irmão. Vou passar a chamada.
(assobiar, durante o tempo que for preciso até ela desligar, a música de abertura das "Valquírias" de Wagner. Se só souberes a primeira parte, tanto melhor, mais irritante se torna)


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quarta-feira, setembro 29, 2004

 

Relíquias do baú

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Remexendo em algumas relíquias no baú das velharias que tenho no sótão, fui dar com estas. Estávamos em 2002. Ao regressar das aulas, abri a minha caixa de correio, cheia de cartas ameaçadoras da EDP e TMN. No meio delas, apenas um envelope com ar inóquo de não-credor. No remetente: José Manuel Durão Barroso. Guardei religiosamente a "carta", enviada especialmente a mim (certamente reconhecendo o meu papel de opinion-maker), e espero que me perdoes, Zé Manel, por violar o sigilo que é devido à tua missiva, mas estes excertos são demasiado preciosos para não recordar publicamente.

Começavas por dizer-me que

durao1 Posted by Hello


Porreiro! Mais à frente, acrescentavas

durao2 Posted by Hello


Como todos sabemos, hoje em dia não há lista de espera (no hospital CUF-Descobertas) e a qualidade de ensino é tão elevada que até podemos prescindir desses malditos professores, cambada de sindicalistas que sugam o orçamento-- os alunos ensinam-se a si mesmos.
Onde a coisa ganha o sabor nostálgico duma irónica relíquia é na conclusão...

durao3 Posted by Hello


No momento de votar pensei "Vou dar uma ajuda a este gajo. Afinal, até é um mal menor. E eh!, pelo menos não é o Santana Lopes nem o Portas!"


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terça-feira, setembro 28, 2004

 

Venham eles!

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O asteróide Tutatis, com cerca de cinco quilómetros de comprimento, vai ficar na quarta-feira a pouco mais de 1,55 milhões de quilómetros da Terra, sendo definido pela NASA como uma "misteriosa rocha em forma de amendoim gigante".

Aqui no Pombo Incontinente & Piriquita Indigente, mais que habituados a fenómenos aero-espaciais, damos as boas vindas ao amendoim gigante e fazemos votos de que tal constitua um feliz presságio da breve aproximação à Terra do asteróide "Imperial Gigante".


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segunda-feira, setembro 27, 2004

 

Entrevista do Além

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Em sessão de espiritismo com mesa pé de galo, o Pombo Incontinente & Piriquita Indigente, com os seus dotes mediúnicos, conseguiram contactar um dos falecidos em Palmela, no acidente de street racing deste fim de semana.

O POMBO: Se está presente algum espírito, que se manifeste!!
PIRIQUITA: Ó Pombo, esta merda é inútil. Só mesmo um cromo como tu é que me traz para estas coisas...
O POMBO: Sshhhh! Oiço algo!
PIRIQUITA: Devo ser eu a fungar. Esta porcaria das velas dá-me cabo do nariz. Anda, abre lá as persianas e deixa-te de tretas.
CAJÓ: Atão, tá-se bem?
O POMBO: Cajó, sabes o que te aconteceu?
CAJÓ: Eh pá, sim, foi um acidente, não foi? Eh pá, mas esse palhaço do Fagundes que não me venha com merdas, o meu CRX anda muito mais do que o Saxo Cup do gajo, fui embater numa árvore 200 metros à frente da dele!
PIRIQUITA: Como te sentes? Como é a vida aí desse lado?
CAJÓ: Pá, ainda não estou bem inteirado de como as coisas funcionam. Ouvi dizer que há aí uns quantos anjinhos que fazem quitanços nas garagens dos pais. Queria ver se instalava uma luz néon azul, um stereo, um aileron e se mudava umas coisas na mecânica do caixão, para melhorar a performance e ficar com um look mais desportivo!


Nota: O Pombo Incontinente & Piriquita Indigente naturalmente lamentam este episódio, como qualquer outros que infelizmente ainda marcam o dia-a-dia das estradas portuguesas. Para as famílias deste punhado de meninos suburbanos (os vivos e os outros) que gostam de pôr em perigo as suas vidas e as dos outros, vai a nossa compaixão.


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A Nova Alegoria da Caverna

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SÓCRATES: Imagina, pois, Glauco, uns homens numa caverna subterrânea, com uma entrada aberta para a luz. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente.

GLAUCO: Estou a ver, Sócrates.

SÓCRATES: Vê também ao longo de um muro, homens que transportam toda a espécie de objectos, cujas sombras se projectam na parede em frente dos prisioneiros: estatuetas de homens e de animais, de pedra e de madeira, de toda a espécie de lavor. Logo que alguém soltasse um dos prisioneiros, e o forçasse a endireitar-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, ao fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objectos cujas sombras via outrora. Não te parece que ele se veria em dificuldades e suporia que os objectos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam?

GLAUCO: Onde é que queres chegar, Sócrates? Tu foste o libertado?

SÓCRATES: Ora aí está. Olhe, ó menina, fa`xavor, são mais duas imperiais para mim e para o meu amigo!

GLAUCO: Bravo, Sócrates! E decerto esse homem libertado do mundo das sombras regressará à caverna para resgatar os seus companheiros e fazê-los contemplar a luz...

SÓCRATES: Glauco, em que planeta é que tu vives??? O pessoal tá-se a cagar para a luz! Deixei-os lá acorrentados, mas instalei-lhes uma televisão de écran plano e surround system, porque aquela coisa das sombras na parede era um bocado pré-histórica. Eles até me agradeceram!


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sexta-feira, setembro 24, 2004

 

Vamos ser mortos por este post, mas cá vai...

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Face à ausência de atletas portugueses medalhados nos Jogos Paralímpicos, responsáveis do comité desculparam os fracos resultados com a existência de algumas deficiências na representação nacional. Realmente, deficiências nos Paralímpicos... Quem diria?

Para os próximos Paralímpicos, pondera-se ainda a inclusão de atletas do circuito "normal". "Se qualquer pessoa pode estacionar o carro nos lugares dos deficientes, desde que saia fingindo coxear, porque não levar o Obikwelu, dizendo-lhe «Se te perguntarem alguma coisa, não te esqueças: baba-te e balbucia apenas que és um rapazinho muito especial e diferente», propõem os responsáveis.

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quinta-feira, setembro 23, 2004

 

Apontamento poético-erótico

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. A breve composição poético-suínica que se segue é dedicada às Meninas da Avenida da Liberdade (não essas que vocês estão a pensar, rebarbados!).
Constatadas as insuficiências das das bocas clássicas à trolha, hoje em dia, à passagem de exemplares do sexo feminino, tão zelosas no seu início de carreira, tão púdicas nas suas blusas abertas ma non troppo porque "neste país em diminutivo, respeitinho é que é preciso", declamo, qual trovador moderno, no meu melhor estilo português-suave (ofereço um prémio a quem o experimentar, apresentando prova bastante do facto):


Menina da mala, sede puta por um dia
por O Pombo (1982-...)

Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
Quando corre com sua malinha por entre a populaça
Assobiam e gritam os trolhas da avenida
Que a comiam toda, se se dignasse a ser comida.

De libidos engripados sob o fato cinzento
Saltos altos desfasados, num dorido lamento
Tão sublime vai ela, na sua beleza pia
Menina da mala: sede puta por um dia!

Sede puta por um dia e largai a malinha,
Deixai lá encerradas as virtudes da mãezinha.
Agarrai-vos a outra pega, bem menos sorumbática
Que não de cabedal feita, mas na mesma tauromáquica.

Já vi eu yuppies-meninas, não menos aprazíveis
Condenadas por essas malas a moléstias incríveis
Por isso digo eu, e é vosso amigo quem fala,
Sede puta por um dia, menina da mala.

Sede puta por um dia, demarcai-vos dessa gente!
E se a tanto o decoro vo-lo consente
Aceitai um beijo do vosso

Pombo Incontinente


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quarta-feira, setembro 22, 2004

 

A entrevista

Combinou-se ao sábado de manhã. O Renato foi vistar o irmão e, de passagem, ao mercado da Cruz de Pau, a ver se comprava umas cebolas. Queria ver se ainda chegava a tempo de conhecer a Tina. Mas era a Olga que ía falar com ela.

A Tina tinha 30 e qualquer coisa, mas parecia ter 40. Para classificar a sua aparência exterior, poder-se-ía integrá-la na estirpe "she-Fonzie meets meados dos anos 80". Usava o cabelo como gostava de penteá-lo ao seu próprio filho, o Carlos: curto e espetado com gel. Estudou até ao 8º ano, altura em que começou a fumar "Ventil" (tirava dos cigarros do avô), marca à qual permaneceu fiel até aos dias de hoje. Deve ser a única coisa estável na vida desta mulher.

Cheirava a Jovan-- vende-se no Continente, umas latas laranja. Penso que a produção foi descontinuada, mas por alguma razão misteriosa esta mulher consegue continuar a cheirar àquilo.

O Renato não regressa a tempo de evitar o pior. Tina começa na segunda-feira.



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MAGDA—FUNCIONÁRIA DO MÊS: SETEMBRO DE 2004

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Para quem não conhece, apresentamos a Magda. A sua dedicação para com a Pombo Incontinente & Piriquita Indigente é lendária!

magda Posted by Hello


Nascida a 36 de Maio do ano 5 d.D. (depois dos Delfins), em Moscavide, filha de um pastor de cabras com síndroma de Tourette e de uma mãe que a abandonou ainda com meses alegando que a filha não era dela, Magda desde cedo revelou ser uma jovem ambiciosa e virada para o futuro, pelo que rumou aos 10 anos à margem sul para iniciar uma carreira de senhora-de-bata-aos-quadrados-que-se-senta-à-porta-de-casa-de-banho-de-jardim-público-com-um-frasco-de-mayonnaise-vazio-para-moedas-e-uma-pilha-de-rolos-de-papel-higiénico.

Mas o destino reservara-lhe outros rumos. Aberto o casting para secretária pessoal do Pombo, Magda foi escolhida dentre milhares de jovens belas e altamente qualificadas pela namorada daquele, que, dada a fama de irresistível galã de que gozava o Pombo, assim poderia dormir mais descansada.

Hoje em dia, Magda é uma peça-chave da organização Pombo Incontinente & Piriquita Indigente, dado que acumula com as suas funções originárias, a função de gestora de activos humorais da Piriquita (quando Piriquita tem as suas crises do “Eu estou tão gorda, ai ai ai!”, ver a Magda todas as manhãs ao chegar à sede renova-lhe o amor próprio).

Além disso, Magda tem imprimido uma nova dinâmica ao nosso departamento de cobranças difíceis.

Por essas e por outras, parabéns à Magda, a nossa Funcionária do Mês, de Setembro de 2004.


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terça-feira, setembro 21, 2004

 

Finalmente fez-se justiça!

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Santana Lopes prepara-se para condecorar Frank Carlucci com a Ordem do Infante. Frank Carlucci, o grande, Frank Carlucci, o glorioso, Frank Carlucci, o magnânimo!

Agora uma pergunta, valendo 100 pontos... Quem é Frank Carlucci??

a) Um aspirante a padrinho da máfia de Brooklyn, inventor da célebre frase "What`ya lookin` at, pal?", na ponta da lingua de qualquer rufia com palito ao canto do lábio da margem sul;

b) Um actor porno italo-americano dos anos 70, que atingiu o estrelato com os clássicos "Suck my spaghetti" e "Horny ma non troppo";

c) Um ex-embaixador e ex-director da CIA, sem serviços relevantes prestados a Portugal, com excepção de irritar visceralmente os comunistas;

d) Um gajo qualquer;

e) Outra. Qual?______________________



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segunda-feira, setembro 20, 2004

 

Madeira - Red Light District

L.
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O líder do CDS-PP Madeira acusou ontem à noite o PSD regional de ter um "sistema político caduco, ultrapassado e corrupto", que apenas beneficia "meia dúzia de construtores civis". Isto semanas depois de Alberto João Jardim se ter envolvido numa troca de galhardetes com Paulo Portas e de aquele ter questionado a utilidade da coligação a nível nacional.

Constata-se assim que a Madeira é uma espécie de Amsterdão portuguesa, o epicentro do "legalise" lusitano: uma ilhota abençoada por Deus onde as empresas podem fugir aos impostos, os pedófilos livremente apreciar rabinhos imberbes e, claro, onde os políticos da coligação se podem atacar livremente, longe dos constrangimentos do Continente -- se não fosse ali e uns contra os outros, onde treinariam eles a sua veia truculenta? Com a "aguerrida" oposição do Continente?...


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sexta-feira, setembro 17, 2004

 

Programa Adopte-um-Político

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O Pombo Incontinente & Piriquita Indigente, confrontados com a luta diária de dezenas de políticos desprovidos do carinho e aconchego de um lar, decidiu lançar uma nova iniciativa humanitária:

PROGRAMA ADOPTE-UM-POLÍTICO

Sabia que a política é uma actividade de desgaste rápido e que muitas vezes leva a carências afectivas?
Sabia que, todos os dias, à volta do globo, são abandonados a instituições de acolhimento (Governos, Parlamentos, Administração de Empresas Públicas) dezenas de políticos, e que eles precisam da sua ajuda?
Agora VOCÊ pode fazer algo!

Deixemos que sejam eles próprios a falar ao nosso coração. Eis os testemunhos de dois políticos entregues aos cuidados do P.I.&P.I., disponíveis para adopção:

George, 58 anos [por razões de segurança, disponível apenas para famílias de acolhimento não-islâmicas]

george Posted by Hello


Howdy! Eu sou o George e procuro uma família para me acolher. Sou alegre, bem disposto, gosto de brincar aos cóbois—eu gosto de fazer de cóboi, mas os meus amigos põem-me sempre a fazer de burro do mexicano (porque há sempre um mexicano nas histórias de cóbois, a brigada fronteiriça devia fazer alguma coisa quanto a isso).
Quero dizer obrigado ao Pombo Incontinente & Piriquita Indigente por esta initi… inuci… i-ni-cia-ti-va e espero que haja uma família de Portugal que me acolha, porque gosto muito dos ares da América Latina.

Pedro, 48 anos

pedro Posted by Hello


Olá eu sou o Pedro. Tenho a certeza que gostarão de me adoptar. Sou muito útil nas lides da casa: varro a sujidade para debaixo dos móveis e depois espalho pela casa cartolinas a dizer “Alguém já reparou como a sala está mais limpa?”
Se me adoptarem, terão também que adoptar o meu amigo Paulo, que vem incluído no pacote, espero que não se importem (com ele e com o pacote)…

NÃO FIQUE INDIFERENTE! ADOPTE JÁ O SEU!!


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quinta-feira, setembro 16, 2004

 

Vem aí a retoma-lá-que-já-almoçastes

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As acções da República Portuguesa, S.A. atingiram hoje um mínimo histórico, dois dias após a divulgação do relatório trimestral por Bagão "Millenium" Félix, que indiciava uma saúde financeira mais débil do que aquilo que se julgava.

O anterior Conselho de Administração da empresa, nomeado pela PSD, S.G.P.S. e CDS-PP, S.G.P.S., que mediante acordo para-social à margem dos restantes accionistas conseguiram uma maioria absoluta na Assembleia Geral, havia conseguido reduzir as perdas do exercício do ano passado, mediante a venda de património e alienação de créditos. Com o lançamento do produto "Euro 2004", o consumo da marca aumentou sensivelmente, seguido de novo decréscimo.

Face à situação delicada, nos mercados circulam rumores de que a espanhola Zara planeia realizar uma oferta pública de aquisição aos accionistas da República Portuguesa, S.A., com o objectivo de criar nos terrenos pertencentes à sociedade o parque de estacionamento da sua nova loja em Badajoz.


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Tá Légali? "Tás frito, vou dize-eeer!", Kofi Annan

Gente passarófila,

Agora sim! Agora que o Pombo defecante me transmitiu o seu infinito conhecimento de informática, pronto, umas aulitas, posso dar uma que leio jornais e essas coisas ( a fingir que eu, tipo, era intelectual e lia Kafka e não sei quê...!).

Fiquei simplesmente sem palavras ao ler o que entretanto ía aparecer nas televisões todas. A entrevista que Kofi Annan concedeu à BBC.

Minha gente! Contemplai!!! O Kofi Annan descobriu a pólvora! Ele diz que a guerra não "tá légáli"! Ora vejamos:http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1203607&idCanal=15

Ok...já está?

O que é que uma pessoa pode começar por dizer de uma coisa destas?

Ele acha que foi o único a pensar que Bush e seus muchachos se precipitaram, sei lá, tipo, um bocadinho (eu sou a mulher do site, tenho que dar ares de loira). E resumidamente, é isso que ele nos diz neste artigo. Mais! Ele diz que "o que se passou não está em conformidade com a Carta das Nações Unidas"!!! Brilhante, um génio, é de facto uma pessoa muito observadora. Eu que ía jurar que isto da guerra e não sei quê até era um verdadeiro ode aos direitos humanos em geral! Ainda por cima, os soldados, vestidos de verde e caqui, que agora se usa imenso... Pessoas que representam um país a vestirem-se tão bem, só podem ter boas intenções! Pensava eu. Obrigada, Kofi, abrisTES-me os olhos.

Deste artigo depreende-se adicionalmente que K.A. possui também apuradíssimas capacidades adivinhatórias sobrenaturais. Um verdadeiro prodígio da vidência, eu diria até. Não é que o homem acha que não haverá eleições na data prevista?! Mas Kofi viu para além do evidente, parabéns, leva lá a bicicleta...

A conclusão é a cereja no topo. Para este senhor,hum, deve ser inspiração das tribos lá de áfrica, porque tamanha originalidade é extasiante: vai-se a ver, o raio do homem diz que a malta devia trabalhar em conjunto? Com a ONU?! Opá, tocou-me. No fundo. Bem lá nas catacumbas do meu ser.

Aiii senhores...!


Link
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E p`ró tinóni não vai nada, nada, nada?

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Crise da saúde, desumanização dos serviços médicos--parecendo que não, é chato. No entanto, graças a um amigo meu, candidato a enfermeiro, descobri que as novas gerações de profissionais da saúde estão a fazer algo por uma vivência mais humana do dia-a-dia hospitalar.
Ao cabo de várias noites de cantoria em avançado estado de intoxicação alcoólica pelas vielas da aldeia de São Gião, pela madrugada fora, apenas decorridas várias semanas começo a recuperar a memória dos acontecimentos, e surgiu-me esta canção da autoria do pessoal de enfermagem que na altura aprendi.

Perante profissionais com uma visão tão dinâmica e responsável do quotidiano hospitalar, se vos acontecer alguma coisa, relaxem, estão em boas mãos....


Se você quer evacuar,
Se você quer evacuar,
Quer deitado, quer sentado, quer de pé
Se você quer evacuar,
Se você quer evacuar,
Evacua quando o cu tiver maré

Quando for com a arrastadeira
Veja lá o que vai fazer,
Se o fecaloma for grosso
Fica tudo a doer

Tudo pode acontecer
Tudo pode suceder
Papel fino rasgar,
O toque rectal fazer

Tudo pode acontecer
Tudo se pode foder
Papel fino rasgaaaaaaaaaaaaaaaaaaaar
E o toque rectal fazer.



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O começo.

Olga Almeida. Contabilista competentíssima e incansável. Casa dos trinta. Peso a mais. Tempo a menos. Vida social: tem de passar os domingos com a sogra carente.

A Olguinha, carinhosamente apelidada de Mafaldinha pelos amigos mais próximos, por ter caracóis e ser baixa e gorducha (assim como todo o rapazola que tenha a "poupa" é o Tin-Tin, toda a criança que tem orelhas grandes, é o Dumbo, énde sóione, énde sóione... esta gente é muito criativa com as alcunhas).

A Olga sofre do complexo da gordinha feliz, como quase todas elas. Está implícito de que ela é sempre sorridente e engraçada, e todos em torno dela se riem das palhaçadas. Os papéis estão atribuídos e é assim que as coisas funcionam. Pronto.

Talvez abdique de ter vida própria por já ter 33 e o ginecologista, Dr. Pedro, toda a vida médico das irmãs (uma carrada delas), lhe tenha dito que ela se devia apressar a engravidar, porque a partir da terceira década de vida, as mulheres caducam, ou, para utilizar o termo (deste) técnico "passam do prazo".

Pouco mais de um mês passou e a enorme moradia dos subúrbios, empréstimo a 25 anos, com o simpático spread de 0,45 (ela é contabilista, tem amigos influentes no banco, malta do ISCAL...), começa a parecer-se com um gigantesco cesto de roupa suja, com tropas de pó a a brincarem à Batalha Naval lá dentro contra o sarro das casas-de-banho.

"Precisamos de uma empregada!". Grande passo para a Olga. Ela que sempre quis ser a super-mulher pensava ser capaz de agora tornar-se numa materfamilias. Mas não. O seu ventre é um árido deserto infecundo. E ela era preguiçosa todos os dias!

Nos subúrbios, criam-se pseudo-comunidadezitas à americana, mas é menos bimbo e mais peneirento. Há sempre alguém que conhece alguém que conhece alguém que tem uma empregada ou amiga que tem uma irmã que não sei quê. A Olga não pôs anúncio.

No sábado de manhã, ei-la, Tina.

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quarta-feira, setembro 15, 2004

 

Próxima estação: (Médio) Oriente, há correspondência com a linha de Sintra, Azambuja...

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Ralph, 25 anos, militar americano estacionado no Iraque

"4 e 45 da manhã, deserto de Al-Sahir.
Estamos há horas cercados por fogo inimigo de todos os lados. Nós bem temíamos aventurar-nos para aqui, pois toda a gente sabe que o deserto está infestado de guerrilheiros com armamento sofisticado, mas viemos por força dos caprichos do general Cavendish, que é um bimbo.
Não só não conseguimos avançar sobre as forças inimigas, como nos vemos sujeitos às ofensivas das Brigadas Suicidas de Abu-al-Akfar. Os meus homens morrem de medo. Partilhámos a última ração de água há duas horas atrás, não temos mais.
Espero que o raio dos reforços venham depressa, para nos tirarem daqui, pois não sei quanto mais tempo conseguiremos aguentar isto!"

Manel, 25 anos, civil português estacionado no Bugix

"4 e 45 da manhã, Bugix.
Estamos há horas cercados por bimbos de todos os lados. Nós bem temíamos aventurarmo-nos para aqui, pois toda a gente sabe que o Parque das Nações está infestado de pitas fluorescentes de 14 anos com calças estilo "apanha da ameijoa", mas viemos por força dos caprichos de uma amiga nossa, que é uma bimba.
Não só não conseguimos engatar nenhuma das gajas do balcão, como nos vemos sujeitos às ofensivas de brigadas de bichonas reprimidas dos Olivais. O pessoal morre de tédio. Partilhámos o último charro há duas horas atrás, não temos mais.
Espero que o raio do metro abra depressa, para nos tirar daqui, pois não sei quanto mais tempo conseguiremos aguentar isto!"


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terça-feira, setembro 14, 2004

 

"Attention shoppers!"

Ding-dong!, soam os altifalantes de um Wal-Mart suburbano nos EUA:

"Caros clientes, temos o prazer de anunciar que, dado ter caducado ontem a lei aprovada durante a administração Clinton que proibía a venda de armas semi-automáticas, poderá adquiri-las confortavelmente no seu Wal-Mart. Acabaram-se as viagens de negócios a Beirute e as compras clandestinas no mercado negro a tipos com nomes como «Sergei, o Quebra-Ossos»!
Para assinalar a data, vendemos Kalashnikovs e Uzis a preço de saldo, com oferta de carregador de 10 balas. Compre uma para si e outra para a sua esposa, e nós oferecemos uma terceira para o seu rebento levar consigo no regresso às aulas--vai ser o furor no pátio do recreio!
Mas, será possível que não tenhamos mais nada para oferecer aos nossos clientes, que são os melhores do mundo não-islâmico? Se for um dos 10 primeiros, oferecemos-lhe ainda uma bateria de mísseis terra-ar, de fabrico checoslovaco, equipada com 20 projécteis, para proteger a sua família e os seus bens de ladrões cada vez mais sofisticados!
E ainda, como hoje estamos uns mãos-largas, receberá um fantástico conjunto de aparelhos de infra-vermelhos para visão nocturna, úteis para toda a família--porque, mesmo com a sua kalashnikov, os seus mísseis terra-ar, a sua família precisará deles, pois a guerra contra o terrorismo começa na própria casa, e nunca se sabe o que pode estar escondido no escuro quando se levanta a meio da noite para ir ao frigorífico!
Não perca as nossas promoções!"


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segunda-feira, setembro 13, 2004

 

Travassos. O homem para lá do mito

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Já que estamos numa de memórias de infância, no preparatório tinha um amigo chamado Travassos (nome fictício).

Puto normal, gostava de jogar à bola e tinha uma paixão platónica pela popular girl da turma, como todos nós.

O Travassos tinha dois dons.
Um era a música: aos 10 anos, era um génio precoce do piano, idolatrado pelo professor de música-que-odiava-todo-o-resto-do-mundo-pois-não-o-compreendiam.
O outro era o escândalo: não havia rabo de saias (e note-se que se tratava de um colégio com farda, pelo que todo o rabo feminino usava uma saia aos quadrados) que escapasse às suas mãos libidinosas.

A dupla formou-se como que naturalmente: eu, o perverso ideólogo do deboche; ele, o técnico com grande prática no terreno, construída com muito esforço e descaramento.
Um dia fomos apanhados por escrever textos satíricos altamente obscenos, deixando-os em locais estratégicos (na verdade eram manifestos catárticos contra o paradigma agrilhoante do neo-realismo asséptico nas artes), e fomos presentes à directora de turma que, após nos recitar a cartilha do Doutor Spock sobre a adolescência, preveniu-nos que “não obstante a qualidade literária, que é inegável”, teríamos um final de carreira precoce se resolvêssemos prosseguir.

Nesse ano o Travassos mudou de escola, e ninguém soube dele durante uns anos.

Hoje o Travassos é um génio em ascensão no panorama do jazz. E como todos os grandes pianistas de jazz portugueses, encontra-se grudado a uma cantora medíocre (vide, Mário Laginha) e ganha a vida a acompanhar a Micaela nas suas tournées pelas terriolas.
Eu sempre soube que o Travassos iria longe!

História do Travassos nº 1
Nos concertos da Micaela, era comum ela deixar a banda tocar umas melodias instrumentais, e quando isso acontecia, o Travassos saudava o público com um “Olá Alhandra!!” ou “Olá Terriola X”, etc. Numa aldeia perdida nesse Portugal profundo, brada o Travassos “Olá…”. Pausa por breves momentos, a meio da frase, com ar pensativo. Travassos afasta o rosto e vira-se para o colega do lado, subestimando o poder dos microfones, e o povo da aldeia ouve soar um “Olha lá, como é que esta merda se chama??”.

História do Travassos nº 2
Se no 5º ano da escola o Travassos se limitava a apalpar rabos, com o passar dos anos refinou a sua veia de porn star.
Ora, como geniozinho da música, vivia rodeado pela sua troupe de oportunistas travassettes. E pensou o bravo Travassos, perante a sua súbita e inédita popularidade junto do meio feminino: que farei eu com tamanho putedo? Bom, digamos apenas que se alguma vez se depararem, no circuito alternativo, com um homemade vídeo em que o mancebo alto, de caracóis despenteados e olhar esquivo e psicótico, pergunta à donzela desnuda em pleno acto “Quem é que é o lorde, quem é??”, guinchando ela em resposta “É o Travassos, a maior #%$& de Vale de Milhaços!!!”, ou outra do mesmo género, nesse caso, senhoras e senhores, apresento-vos o meu amigo Travassos, o misógino, o inconveniente, o fodilhão: a lenda faz-se carne e a carne faz-se lenda!

Viva o Travassos! Viva!


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Life is a bitch... Mas o gajo escreve direito por linhas tortas

Na escola, há aquelas personagens que são comuns à vivência de todos: a menina da professora, o atleta por quem todas têm um fraco, o colega endinheirado, que normalmente é feio, mas tem sempre umas traquitanas todas jeitosas, pelo que é amiúde popular, mais não-sei-quantos, e depois, o gordo e o asmático. Estes dois últimos são os que mais temem a aula de Ed. Física, especialmente quando é dia de jogo de equipa (aqueles que servem pra fomentar a vivência em grupo e essas coisas). É aterrorizante. A menina gira escolhe uma equipa. O menino giro, outra. E o banco vai ficando vago à medida que se vão gerando os grupos. E torna-se cada vez maior... proporcional, aliás, ao tempo em que nos mantemos lá sentados. Escusado será dizer, mas digo na mesma, para os menos atentos, que o gordo/ e o/a asmático/a são os últimos a sair. Eu era a gorda. Não é por acaso que sei exactamente como descrever a sensação.

Aliás, já na primária quando eu tinha o fato-treino com um telefone removível, que se prendia com o velcro, pensei que teria o meu pequeno momento de glória, em que as miúdas que tinham estojos e canetas giras e vestidos e cabelos lisos, me convidavam para brincar. Mas fiz de cabine telefónica e a minha tarefa era ficar ali, de pé. Apenas e mais nada. E elas nem telefonavam muito.

Traumas aparte, tenciono chegar a um raciocínio que tenha maneira de se encadear...
Fartava-me de apanhar. Pediam-me trocos. Gozavam-me.

Para grande satisfação minha comecei a ver essas pessoas a trabalhar como caixa no Intermarché, como seguranças de grandes superfícies afins, em balcões de café. Não que não sejam profissões dignificantes e honestas. Mas o que realmente traz aquela perversa e sádica satisfação é saber que toda a petulância e arrogência de outrora têm de ser fechadas em vácuo, convertidas num "bom, dia, em que posso ajudá-lo?", tarefa que ainda que básica e simples não é desempenhada com o mínimo de mérito.

Já para não falar no complexo de patinho feio... as "prom queens" todas que se tornam em mães precoces que não sabem falar de uma obra literária senão daquelas que são vonvertiads em novela. Obesas e ranhosas. Mal vestidas. E com raízes. (urrgh)

Por isso, Pombo sem músculos anais, deixa-nos lá ser gozados e podes dizer descansado aos teus filhos para não se armarem em parvos, DÁLES umas belas palmadas e mete-os de castigo e não os deixes ir jogar à bola sempre que querem! E deixa lá, que os amigos dos bares de praia e as amigas recepcionistas podem fo*** muito na casa dos 20. Mas dos 30 para a frente, são os que na realidade são fodido***. E nem é preciso explicar-te porquê, porque a tua incontinência está longe de ser cerebral.

Por isso, Pombo Cagão, deixa-nos estar, a nós, cromos sem vida própria em sem amigos porque... mesmo assim, o gajo ainda vai escrevendo direito por linhas tortas!

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sexta-feira, setembro 10, 2004

 

Life`s a bitch

"Não te preocupes. Tu é que fazes bem em estudar, porque daqui a uns anos vais ser um homem de sucesso e ele não sairá da cepa torta" diziam-me os adultos, para me consolar, quando observava com inveja o puto da minha turma cujo único interesse na sua existência despreocupada era jogar à bola, enquanto eu me empenhava nos livros.

Passados anos, voltámos a encontrar-nos.
Ele agora é dono de um bar da moda na praia, onde se rodeia do seu séquito da beautiful people, de sorrisos platinados e bem sucedidos.
Eu, tal como quando nos conhecemos, continuo um estudante inútil e sem um tostão, mas mais velho.

E agora? Que direi eu um dia aos meus putos?


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Cuzinho Não Roça *

(* para quem não percebe a piada, trata-se de uma alusão ao programa “Cozinha na Roça”, que dá na RTP África)


Olá amiguinhos!
Sabiam que 90% das mulheres impressiona-se “Muito” ou “Muitíssimo” com o facto de um homem saber cozinhar para elas? Se o vosso passatempo é perder tempo a ler blogues, sinceramente vocês precisam de toda a ajuda que eu possa dar para poderem ter entretenimento horizontal com a ex-colega da faculdade que convidaram para ir jantar a vossa casa.

Não se preocupem se não souberem ligar o fogão. O Pombo também não sabe. Na verdade, tenho uma teoria segundo a qual os grandes chefes de cozinha são essencialmente ideólogos, não é suposto saberem como se parte um ovo ou como se descasca uma batata—para isso servem os ajudantes.

O prato de hoje, uma pérola da gastronomia nipónica, crua, como convém a um prato feito a pensar nas necessidades gastronómico-sexuais de gajos-solteiros-sem-jeito-para-a-cozinha: SASHIMI!

Ingredientes:
-peixe cru (peixes de posta como salmão, atum fresco, etc., bem como as gambas são mais fáceis de cortar, mas também poderão usar carapau, dourada, à medida que forem ganhando mais perícia).
-Wasabi (mostarda verde japonesa—à venda no minimercado chinoca do centro comercial do Martim Moniz)
- Molho de soja
- Limão
- Gari (lascas de gengibre conservadas em vinagre)

O peixe deve ser extremamente fresco (vão à praça de manhã, mas evitem ir lá no fim de semana e às segunda-feiras)—não vale a pena perguntar à peixeira, ela dir-vos-á sempre que é fresco. Nunca, mas nunca usem peixe de rio (maior risco de toxinas).

No caso dos peixes de posta, devem ser cortados em diagonal em relação aos veios do peixe (apalpem o peixe para ver onde se encontram as espinhas, pois estas terão que sair), de forma a terem pequenos blocos paralelepípedos. A lâmina da faca deve ser lisa (sem serrilha) e bem afiada, de forma a cortar num só movimento contínuo.

Cortado o peixe (notem que isto é uma visão muito simplista—não é tão fácil como pode parecer), deverá ser servido numa travessa ou tábua, com as lascas de gari (não se cortem no gari, pois facilita a digestão e é altamente afrodisíaco… Irão agradecer-me depois do jantar).

O molho de soja, com uns pingos de limão, é servido em pequenas doses individuais, com um pequeno montículo de wasabi para cada pessoa misturar a gosto (altamente picante, cuidado!).

Geralmente, é acompanhado de arroz (se não souberem como se coze arroz, peçam ajuda à velhota que vive na casa ao lado. Ela terá todo o prazer em ajudá-los, se lhe disserem que vem jantar “uma amiga especial”, sendo que durante o tempo de cozedura tentará por todos os meios sacar-vos pormenores).

Para beber: se quiserem realmente ser tradicionalistas, chá verde, mas escorrega muito melhor com vinho branco e saki (insisto no “i”… “saké”, em japonês, significa “salmão”).

Quanto ao resto, a imaginação é o limite. Todos vocês já viram “O Império dos Sentidos”, pelo que dispenso outras considerações.

E não se deixem intimidar: a cozinha é e sempre foi assunto de homem—uma mulher pode aspirar a ser uma boa cozinheira (ou uma cozinheira boa), mas os grandes mestres são todos homens. E é preciso ser muito seguro da sua virilidade para vestir o avental sem complexos!

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quinta-feira, setembro 09, 2004

 

Citações

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As citações mais não são que um útil substituto para a inteligência, já dizia Somerset Maugham.

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Piriquita ao Léu dá as primeiras sacudidelas na asa!

Minha Gente,
É com grande honra que me encontro aqui hoje. Blá blá blá.
Vamos poupar o meu e o vosso tempo, porque o Pombo Diarreico faz apresentações que cheguem pelos dois.
Aproveito para levar a cabo um projecto a que nos propusémos, já há bastante tempo... Iniciar a escrita da saga(?) da Tina, a Criada (título provisório).
Pois é... à boa maneira da rede globo, iniciaremos aqui um diário de uma dona de casa que não tem controlo da sua própria vida e de uma doméstica que não tem vergonha na cara. Estas personagens têm, contudo, muito que se lhe diga.
Com estas ténues pistas, lanço desde já o desafio a todos os nossos leitores: Abre-se agora, oficialmente, o concurso para o MELHOR TÍTULO DO DIÁRIO DA CRIADA. Isto basicamente, vai-se arrastar indefinidamente até nós, os espécimens "passarídeos" entendermos. Nós mandamos.


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quarta-feira, setembro 08, 2004

 

Campanha de alfabetização Pombo Incontinente

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Como hoje se celebra o dia mundial da alfabetização, e tendo em conta que 9 por cento dos portugueses são incapazes de ler este texto (apesar de todos os 10 milhões acederem regularmente ao site do Pombo Incontinente, pois gostam de ver as gravuras), e dado que com a bronca das listas de colocação de professores, a situação parece estar longe de mudar, o Pombo Incontinente, qual missionário da cultura para as massas, promove a sua primeira jornada de alfabetização.

Lição nº 1 -- O ditongo "ão".

Isto é um A-- A / a (encher três páginas A4 de linhas com "A"s)

E isto é um O -- O / o (idem)

E isto é um "til", que deve colocar-se sobre o "A" -- ~

Tudo junto dá ÃO (ão)

O ditongo ÃO é muito útil, pois com ele podemos escrever:


"Pobre João Ratão, ninguém te dá atenção... E eu também não."

js Posted by Hello



"Que grande vozeirão, parece até um bicho papão! No meio de tanto tubarão, é o único que tem colh... "(ok, o ditongo "ões" fica para a próxima aula).

ma Posted by Hello



"Foge cão, que te fazem barão ou então Ministro da Educação, se este grande canastrão te apanha aí à mão-- co-incinerando a nação!"

jso Posted by Hello




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terça-feira, setembro 07, 2004

 

Adivinhem quem voltou...

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O antigo presidente norte- americano Bill Clinton «está bem», disse a sua mulher, Hillary Clinton, à estação de televisão Fox News, no final da intervenção cirúrgica ao coração a que foi submetido.

As estatísticas do hospital confirmam-no, ao descrever um aumento exponencial do volume de trabalho da lavandaria, dado que as batas das enfermeiras de serviço tendem a manchar-se muito mais desde que o ex-presidente retomou a sua forma física, como nos bons velhos tempos.

good ol` Bill Posted by Hello



Já agora, falta 1 dia...


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segunda-feira, setembro 06, 2004

 

A small step for a Pigeon, a giant leap for Pigeonkind

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Na sequência de vários boatos difundidos ao longo das últimas semanas pelo Financial Times, Fortune, Wall Street Journal e 24 Horas, o Pombo Incontinente anuncia a todos os seus leitores que sim, é tudo verdade.

Como o leitor sabe, estamos na era das fusões e aquisições milionárias. A necessidade de coligar sinergias com vista a fins de interesse comum, aliada a uma conjuntura económica favorável a uma potencial expansão levaram a família Pombo Incontinente a encetar negociações no sentido de crescer e multiplicar-se.

Obtida a luz verde da Comissão Europeia e, ao nível interno, da Alta Autoridade para a Concorrência, e ao cabo de longas e complexas negociações por parte dos nossos advogados
e prospecções de mercado pelas consultoras financeiras, tornamos pública a entrada de um novo membro para a sociedade.

Apesar de não podermos ainda revelar todo o conteúdo do contrato assinado esta manhã, anunciamos que, apesar de a morada do blogue se manter inalterada (
http://www.pomboincontinente.blogspot.com/), o blogue adoptará uma nova firma comercial, "Pombo Incontinente & ...".

O novo elemento fará a sua estreia na quarta-feira. Por agora, diremos apenas que se trata de um rosto desconhecido da blogosfera, que certamente surpreenderá e que trará a este blogue, que rebenta pelas costuras de testosterona, a influência civilizadora de uma visão feminina das coisas (podem começar a especular).

Faltam 2 dias...



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Carta aberta a Clara Ferreira Alves

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Caríssima Clara Ferreira Alves,

Sempre te achei uma intelectual petulante. No entanto, ontem li a tua crónica na revista do Expresso e quase me vieram as lágrimas aos olhos, quando lamentavas o suposto desaparecimento da figura do “estudante”, e nos criticavas a nós, seu fraco sucedâneo hodierno.
Creio que, em nome da minha geração, te devo um grande pedido de desculpas. Desculpa-me, Clara Ferreira Alves, por não trazer debaixo do braço, no metro, um exemplar de um romance do Dostoievski como backstage pass para as luzes da intelectualidade. Desculpa-me por abominar música barroca, por não fazer ideia dos títulos que ocupam os tops de não-ficção do New York Times e por não ler o New York Times, por não utilizar o termo “in illo tempore” nas minhas conversas habituais, por não ter uma coluna semanal na revista do Expresso (eu bem enviei o meu Curriculum, para te substituir, mas eles não quiseram), por não ser director da Casa Fernando Pessoa. Desculpa-me por não trabalhar nas obras durante o dia para sustentar os estudos em horário nocturno, por não ter participado na revolta de 62, no Maio de 68 e na revolução de 74 (teria tido todo o gosto, caso fosse nascido na altura).
Por tudo isso e muito mais, curvo-me perante ti, ó Pallas Atena da intelectualidade lusa, e rogo o teu perdão pela parte que me cabe desse teu tão grande desgosto com as novas gerações.
Contudo, se tanto te repugna que o auto-aperfeiçoamento moderno signifique apenas “a cirurgia estética do corpo e da cabeça, ou o retoque cosmético da notoriedade”, como dizes, porque não começar por dar o exemplo aos jovens, enxaguando hoje mesmo dessa cabecinha (bem-pensante, seguramente) essa cor loira artificial da moda?

O teu “fã”,

O Pombo

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sexta-feira, setembro 03, 2004

 

Barriga de Bon Vivant



Será que alguém entende as mulheres?? (Ninguém falou contigo, Almodôvar, tu és um gajo estranho)
Andou um tipo meses a picar-se com os gigantes ultra-hormonados no ginásio e a correr que nem um louco quase diariamente, para ouvir coisas como "Na verdade, eu não gosto muito de homens com corpo em forma de V".
Agora que nas férias cultivei, por desleixo e prazer, uma leve mas visível protuberância abdominal resultante da ingestão de grandes quantidades de cerveja e de porcarias que se comem quando se chega a casa de madrugada com aquela traça que só quem conhece sabe, enquanto se assiste impávido aos anúncios da TV shop e aos documentários tardios do canal discovery, as amigas exclamam "Oh, mas tu agora estás muito melhor! Adoro essa barriguinha de bon vivant, tem estilo!"

Eis como a outrora odiosa barriga de cerveja, digna de trolhas e tunos labregos, se transforma, aos olhos das nossas amigas, numa sexy barriguinha de bon vivant, indispensável a qualquer macho que queira fazer sucesso junto do gajedo.

Se isto é a mulher moderna a falar, eu cá adoro-a!!



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quinta-feira, setembro 02, 2004

 

"Back in the summer of 75"

As inscrições, na porta de entrada e nos tapumes de obras que ladeiam a entrada da sede dos populares no Largo do Caldas, em Lisboa, foram feitas com "sprays" pretos, vermelhos e cinzentos, habitualmente utilizados nos "graffiti" de rua.

O poder de dedução do jornalista do Público autor deste excerto é verdadeiramente acutilante. De facto, toda a gente sabe que os sprays pretos, vermelhos e cinzentos são os indicados para os graffiti de rua, jamais utilizaria esses para os meus graffiti de casa.

Entretanto, chocado com o acto de vandalismo praticado contra a sede do CDS-PP, apelo a todos os compatriotas amantes da ordem que façam sentir o seu protesto, dirigindo-se nesta madrugada à sede do partido e escrevendo a spray nas suas paredes "ABAIXO O VANDALISMO CONTRA A SEDE DO PP!", e outros slogans de solidariedade.

Mais uma nota: será desta que veremos os meninos rabinos de penteado à foda-se e camisinha Ralph Lauren de pano e detergente a limpar as paredes da sede?

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Por mares nunca dantes navegados

Observando o impasse gerado entre o Barco do Aborto e o Aborto (refiro-me, quanto a este último, obviamente ao Governo de Santana Lopes), e honrando-me de estar sempre um passo à frente no que toca a arranjar novas fórmulas de entretenimento mediático para animar este fim da estação estival, arrisco propor novas odisseias aquáticas com pavilhões de nações mais permissivas que a nossa, com rumo ao nosso rectângulo ribeirinho:

* O Barco da Cueca Fio Dental (com fornecimento gratuíto a mulheres portuguesas após exame de compatibilidade física, workshops com temas instrutivos como "fio dental: coisa de putas?--mitos e factos", "20 Razões Pelas Quais Ver-se a Linha das Cuecas Não É Sexy. Em Caso Algum" e desembarque da tripulação de mulatas brasileiras em trajes menores para espalhar a boa nova);

* O Barco das Touradas de Morte (toureiro fechado sozinho em arena flutuante com 5 toiros ibéricos, até à morte, convidando-se a aficción a subir a bordo);

* O Barco da Eutanásia, Eutanáfrica e eutanamérica (embarcação de turismo suicida, para desentupir as bermas da Ponte 25 de Abril durante as horas da madrugada, a cargo da ONG sueca "Vai morrer longe");

* O Barco do Artigo 167º do Código Penal (descubram vocês mesmos... Apenas digo que, caso tivesse um irmão gémeo com uma namorada morfologicamente aprazível, a leitura deste artigo dar-me-ia novas e interessantes ideias).



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