terça-feira, agosto 31, 2004

 

Nos bastidores do Pombo Incontinente II

O Pombo tem andado desaparecido. Contra factos não há argumentos. Chegada a altura de regressar ao activo na minha carreira bloguística, apresento não uma, não duas, mas sim três (!!) justificações para esta minha prolongada ausência, para que o leitor escolha aquela que mais lhe agrade (Nota: Apenas uma delas corresponde à verdade dos factos... Mas quem somos nós para deixarmos os factos intrometerem-se no caminho de uma boa história?):

1. Não tenho escrito porque fui raptado por um gang de fufas nórdicas com pêlos nas costas e vendido à tripulação do Barco do Aborto para varrer o convés e realizar massagens tailandesas (com polivalência laboral compatível com a prestação esporádica de serviços enquanto torpedo).

2. Nos momentos em que não estou demasiado deprimido ou (ou logo) demasiado bêbedo com a terrível aproximação do início do meu último ano de vida de estudante, tenho os ossos demasiado moídos das frequentes quedas da prancha de surf, indispensáveis à minha recém-iniciada aprendizagem (porque está escrito nas estrelas que um gajo loiro, que vive na Costa, tem necessariamente que saber surfar), ou estou demasiado ocupado a cumprir recados ("já que estás de férias, podias levar a minha iguana almiscarada do Índico ao veterinário? Se ela te morder, tens 25 minutos para chegar ao hospital e receber o antídoto do veneno. Obrigado!") ou a dormir ou a comer (`cause the birds and bees do it too!) para conseguir escrever.

3. A culpa é do Vasili, o imigrante ucraniano que faz as compras na mercearia em frente à minha casa! ("Remember: if something goes wrong, always blame the guy who doesn`t speak English"Homer Simpson dixit).



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quinta-feira, agosto 19, 2004

 

Proteja-se contra a vermelhidão das nádegas

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vermelhidao Posted by Hello


O único recomendado pela Casa Pia de Lisboa


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quarta-feira, agosto 18, 2004

 

Olímpico bocejo

O Pombo, imbuído do espírito olímpico, gostaria de perguntar ao Comité Olímpico Internacional porque razão a pelota basca escandalosamente ainda não foi elevada a modalidade olímpica.

É que, tendo em conta que o tiro aos pratos, o arremesso do martelo, a ginástica artística e o levantamento de halteres praticado por mulheres ultra-hormonadas e sem mamas têm o seu lugar no maior evento desportivo da humanidade, parece-me injusto excluir uma modalidade que é tão ou mais desinteressante que as mencionadas.


Outras modalidades enfadonhas--logo, olímpicas de pleno direito--cuja elevação deverá ser considerada, incluem o cricket, o badminton e o congresso do PCP.

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A civilização do parquímetro

Após sobreviver a uma hora e meia de descidas íngremes, curvas com óleo e aos kamikazes de ford fiesta do IP5, o viajante em busca de paz e aconchego sai em busca da vila muralhada de Celorico da Beira, para se deparar com a mãe de todos os horrores: o pequeno burgo granítico terá visitado em peso a promoção estival dalgum Ikea torquemadesco e importado rapidamente e em força esse objecto por todos tão odiado: o parquímetro. Não há viela empedrada nem sombra de videira onde os senhores feudais da terra não tenham plantado uma dessas malévolas árvores das moedas para cobrar tributos a quem se aventura nos seus domínios.
Que logro, meu Portugal profundo! Ouvi o apelo deste alfacinha desenganado, ó bravos celoricenses, e revoltai-vos contra a mentira em que navegam: O PARQUÍMETRO NÃO É CIVILIZAÇÃO! Ele não vos fará grandes, não vos fará ricos, não vos fará sexy, antes trará a desgraça às vossas ruas e a miséria aos vossos varões automobilizados!

Tanto mais que a EMEL celoricense deverá ter escondidas na manga manigâncias de perfidez desconhecidas até mesmo da sua congénere da capital, para conseguir ultrapassar a dúvida de como bloquear um burro estacionado ou uma parelha de bois.


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segunda-feira, agosto 16, 2004

 

Pombo fora, dia santo na loja

O Pombo Regressou agora de duas semanas de tournée pelo norte, iniciada na raia beirã, com uma breve passagem por Viseu, e um fim de semana no Porto, encharcando o bico em tawnies e rubies à borla em visitas interesseiras às caves de Gaia.
Naturalmente que, durante esse período, levei uma vida santa de bom selvagem, totalmente apartado de noticiários e jornais, e, ao regressar, vejo que na minha ausência houve um escândalo qualquer com umas cassetes roubadas (aproveito para apelar a quem de direito que me devolva as cassetes da trilogia do Padrinho emprestadas há dois meses!), o santuário de Fátima, mais propriamente os seus WCs, surgem no Expresso como a Meca (ou, mais simplesmente, a Fátima) para peregrinações em doggy style, Portugal perde com o Iraque (?!) nos olímpicos de futebol e, para compor o ramalhete, o Sporting levou uma vez mais na boca, desta feita do Saragoça.

Agora, digam-me uma coisa: não podem apanhar-se uns dias comigo fora que fazem logo merda??

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segunda-feira, agosto 02, 2004

 

Volto já

Caros leitores,

Dentro de poucos dias, o Pombo Incontinente baterá as suas asas para “otras sierras del mundo”, como dizia o Che, mais propriamente para um lugarejo chamado Poço Velho, distrito do Cú de Judas (população: 20 habitantes, língua oficial: português, excepto em Agosto, em que a população é de 10.000 e a língua oficial é francês da bidonville), que fica na província.

Ora, para quem não saiba (para pombos citadinos como este que vos escreve), consta que a província é uma coisa esverdeada que fica lá longe, uma espécie de twilight zone onde os telemóveis perdem a rede, onde não há limas nem cachaça para fazer caipirinhas, e onde as pessoas plantam coisas sem ser marijuana nos vasos da varanda e criam estranhos animais a que chamam frangos, mas sem plástico e etiqueta como os nossos.
E que farei eu em local tão ermo, pergunta o leitor? Aparentemente, serei apresentado à família da respectiva pomba. Sim, uma semana a distribuir sorrisos amarelados perante tiradas como “O gaijo é um bocado magro. Xerá que é xaudável?” “E porque é que ele uja barba? É por opçoum ou é derivado a xer um dexes drógados desleixados lá da xidade?”.
E enquanto o bravo comando SS da pureza genética das berças me examina os dentes como a um cavalo de corrida para evitar a turbatio sanguinis dos futuros rebentos do clã, eu levarei a cabo a minha secreta missão civilizadora. Se Portugal é Lisboa e o resto é paisagem, lisboetizarei Portugal. Quando eu regressar, os camponeses cantarão fado e beberão ginginha e as novas gerações debicarão cappucinos com pauzinho de canela para mexer e pronunciarão “coãlho” em vez de “coêlho” e cumprimentar-se-ão, no caminho para as hortas, com um “Tá-se?”.

Um pombo. Uma aldeia. Uma causa.



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